Novo cenário

Marina é a candidata que mais arriscaria a reeleição de Dilma, diz cientista político

Para Christopher Garman, Marina Silva pode "roubar" votos de Aécio Neves, mas deve ganhar força com a parcela da população que ainda está indecisa e se opõe ao atual governo

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SÃO PAULO – Mesmo após poucas horas do falecimento de Eduardo Campos, especialistas já começam a tentar traçar um novo cenário para as eleições deste ano. Durante o Fórum Exame 2014, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (13), Christopher Garman, Diretor de Mercados Emergentes da Eurasia Group – maior consultoria de risco político do mundo -, comentou como ficaria o cenário com uma possível candidatura de Marina Silva.

“Desde antes da confirmação das candidaturas, nós tínhamos a Marina como a candidata que mais arriscaria a reeleição de Dilma”, destaca Garman. Segundo ele, ainda é cedo e agora o ambiente é de incertezas, mas a chance de Marina conseguir muitos votos vindos dos eleitores atualmente indecisos pode ser uma grande arma para a possível candidata.

Segundo ele, um dos fatores que pode favorecer Marina é o fato de que o atual discurso utilizado pelo PT não ter tanto efeito contra ela. “Hoje o PT tenta exaltar as mudanças que fez após o governo de FHC, tentando mostrar para os eleitores que mesmo com alguns problemas, o país está melhor que antes do Lula”, explica Garman. Para o cientista político, essa fala perde força com Marina, já que ela fez parte da equipe do ex-presidente Lula.

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“Com Marina Silva, a chance de ocorrer um segundo turno é praticamente certa”, destaca Garman, que ainda acrescenta que não há como saber quem será o oponente de Dilma: “Está 50% a 50%”. Apesar dela “roubar” grande parte dos eleitores que atualmente estão na categoria branco/nulo, o cientista afirma que é grande a capacidade de Marina pegar os votos de Aécio Neves.

Por fim, ele ainda lembrou da última candidatura de Marina, que “de surpresa” atingiu 19% dos votos. Segundo Garman, ela tem grande poder de convencimento e no atual cenário de pedido por mudança dos eleitores ela ganha força. “Nas últimas eleições, porém, ela só ganhou força nas intenções de voto nas duas últimas semanas, ou seja, continua difícil prever”, completa ele.