Economia

Marcos Lisboa: é uma crítica injusta atribuir agenda atual apenas ao governo

Para o economista, que já foi secretário de política econômica no primeiro governo Lula, os investimentos não emplacaram não por falta de incentivos; agenda foi de diversos setores da sociedade

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SÃO PAULO – Em evento realizado pela Empiricus Research, o economista Marcos Lisboa, que já foi secretário de política econômica no primeiro governo Lula, destacou que o governo Dilma Rousseff vem incorrendo nos mesmos erros, que prejudicam o desenvolvimento do País. 

“Nós pioramos mais do que o resto do mundo e não são só fatores estruturais que explicam esse movimento”.

Para explicar por que pioramos tanto, Lisboa ressalta que o que mudou foi que, depois da crise de 2009, foi imposta uma agenda contra reformas e retorno ao nacional desenvolvimentismo. 

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Porém, afirma é injusto atribuir isso apenas ao governo: o setor privado também deve estar nesta conta. Conforme aponta o economista, ao contrário do que dizem, o governo conversa com os empresários. Porém, afirma, conversa a porta fechadas, concedendo benefícios para alguns, em detrimento ao prejuízo de outros setores. Lisboa ressalta que é necessária uma agenda mais horizontal, com redução do intervencionismo e das discricionaridades.

Assim, o governo aproximou-se das políticas de Juscelino Kubitschek e de Geisel que entregaram os eus governos com um crescimento baixo e uma inflação elevada. 

Além disso, reforça Lisboa, não foi o modelo de consumo que barrou o investimento, que não teria incentivos. A quantidade despendida de investimentos foi enorme, mas não deu certo, justamente devido à política desigual e feita a setores específicos da sociedade.

E, além disso, as proteções para certos setores criam incertezas e complexidades institucionais. A falta de transparência também foi criticada por ele: “cada setor tem um imposto, cada produto tem uma regra. No fim, qual é o benefício? Não sabemos?”

“Como desamarrar a rede de proteção a certos grupos, muitas vezes bem intencionada? Os incentivos da Zona Franca de Manaus, por exemplo, foram concebidos para durar 30 anos. Foram prorrogados e agora vão durar 50 anos”, ressaltou.