Embate não convenceu

“Mantega seria um alvo fácil, mas Armínio Fraga decepcionou”, diz Financial Times

Fraga teve os argumentos certos, afirma o jornal britânico, mas ele foi "pragmático" demais, enquanto Mantega estava confiante

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SÃO PAULO – Este foi tido como um dos maiores massacres das eleições no Brasil. Na quinta-feira à noite, o atual ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-presidente do Banco Central no governo FHC Armínio Fraga protagonizaram um embate no canal a cabo Globo News. Mantega estava do lado da candidata à reeleição pelo PT Dilma Rousseff e Fraga, pelo lado oposicionista, de Aécio Neves (PSDB). 

Para o jornal britânico Financial Times, com tantas explicações que Mantega teria que dar sobre a atual conjuntura em meio à inflação alta, crescimento baixo, o atual ministro seria um alvo fácil. Mas não foi isso o que aconteceu. 

“Fraga teve os argumentos certos. O governo precisa corrigir seu modelo econômico, combater a inflação, aumentar o investimento, atrair capital, construir credibilidade e reduzir os empréstimos desnecessários pelo banco de desenvolvimento estatal BNDES. Além disso, a crise financeira mundial foi cinco anos atrás, ele apontou. Tudo o que é música para os ouvidos dos investidores”, destacou o jornal britânico. Porém, ele teve um pragmatismo frio e colocou detalhes técnicos, como cabe a um presidente do Banco Central.

“Por outro lado, Mantega falou como um político confiante, baseando-se nas narrativas populistas”, disse o FT.

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O jornal ainda destaca: “após oito anos de Mantega como ministro da Fazenda no Brasil, os investidores e os empresários podem ter um pouco de pragmatismo frio. No entanto, não são essas pessoas que Fraga têm que convencer – a grande maioria teria escolhido o ex-presidente do BC em relação a Mantega de qualquer maneira. Fraga e o PSDB precisam encontrar uma maneira de obter a mensagem econômica para a classe média brasileira e desconstruir a crença comum de que o que é bom para os mercados é ruim para as pessoas e vice-versa”.

“Afinal, este não é apenas um debate econômico cordial: é guerra – a batalha final pelo controle sobre o segunda maior mercado emergente do mundo e as vidas de mais de 200 milhões de pessoas”, concluiu a publicação.