Entrevista à Veja

Mantega reitera que seguirá na Fazenda e muda discurso sobre inflação

LCA Consultores aponta para 2 novidades em relações às últimas falas do ministro, com reconhecimento que inflação afetou confiança e que o governo jamais a deixará sair do controle

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SÃO PAULO – Em entrevista à revista Veja na edição deste final de semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que não sairá do seu cargo, destacando que, no “longo período em que aqui estou, já houve ocasiões em que alguns lançaram esse boato, e todos se verificaram infundados. Da mesma forma que no passado, assim o são hoje”.

Além disso, ele foi além ao falar de sua relação com a presidente da República, Dilma Rousseff destacando que, quando começou o governo, dizia-se que ele era uma escolha do ex-presidente Lula, e não dela. Assim, Mantega poderia sair na primeira reforma ministerial. “Isso nunca aconteceu”, destacou o ministro. 

Sobre a atual situação econômica, a entrevista trouxe duas novidades em relação às últimas avaliações do ministro da Fazenda, conforme destaca a LCA Consultores. A primeira foi o reconhecimento que a inflação elevada afetou a confiança dos consumidores, em linha com o discurso recente do Banco Central. A segunda, e mais surpreendente, foi a afirmação que o governo “jamais deixará a inflação sair do controle, mesmo que isso signifique reduzir a taxa de crescimento”.

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Por outro lado, Mantega afirmou que não apoia um reajuste dos combustíveis, cuja defasagem voltou a registrar alta nos últimos 30 dias, com a valorização do dólar frente ao real. No caso da gasolina, a diferença dos preços interno e externo está um pouco abaixo de 30%.

Além disso, o ministro destaca que, em 2011, fez um ajuste duro nas contas públicas e na taxa de juros básica Selic, aumentando o custo de crédito e reduzindo o consumo. “Foi duríssimo. Mas, com a crise europeia, foi o momento de voltar a reduzir os juros”, destacou e que logo o governo teve que lidar com pressões inflacionárias. Segundo Mantega, a pressão inflacionária não veio do consumo interno que, pelo contrário, está em queda. Ele atribui a inflação à quebra de safras e desvalorização do real; segundo Mantega, a inflação brasileira já está recuando para um patamar mais confortável. 

O ministro afirmou ainda que a crise obrigou os países a fazer reformas. “Foi o que fizemos. Implantamos uma política para dar mais competitividade à indústria, reduzindo alguns dos principais custos das empresas”, destacou. Sobre o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), Mantega afirmou que continuará fazendo aportes, ainda que em ritmo menor. 

A LCA Consultores lembra ainda que, em março deste ano, a presidente Dilma afirmou que “esse receituário que quer matar o doente antes de curar a doença é complicado. Eu vou acabar com o crescimento do país? Isso daí está datado. É uma política superada”.

“Certamente, as palavras do ministro tiveram a intenção de reforçar a determinação do governo no combate à inflação, corrigindo o ‘mal entendido’ gerado pela presidente”, afirma a consultoria.