Entrevista à Folha

Mantega: quem apostar em disparada do dólar caso Dilma ganhe “vai quebrar a cara”

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ministro da Fazenda diz que não motivo para pessimismo no mercado com reeleição de Dilma; críticas à Armínio Fraga também marcaram a conversa

SÃO PAULO – Possivelmente uma de suas últimas entrevistas como ministro da Fazenda, Guido Mantega deixou um recado claro para os investidores do mercado financeiro que estão com “medo” de uma reeleição da Dilma Rousseff (PT). Para ele, quem apostar em uma disparada do dólar e uma derrocada da Bovespa caso a petista seja a vencedora nas eleições “vai quebrar a cara”. A declaração foi dada ao jornal Folha de S. Paulo, em entrevista veiculada neste domingo (19).

O assunto veio após Mantega ser questionado pelas previsões extremamente opostas que muitos analistas têm feito para o dólar e o Ibovespa caso o vitorioso das eleições seja Dilma ou Aécio Neves (PSDB). Em pesquisa realizada dias antes das eleições do 1º turno pela XP Investimentos com 80 gestores de recursos, metade deles acredita que o Ibovespa pode ir abaixo dos 45 mil pontos caso Dilma vença – o principal índice da Bolsa brasileira fechou a última sexta-feira (17) em 55.723 pontos. Já para o dólar, as apostas superam com folga a faixa dos R$ 2,60, com algumas chegando até R$ 3,00 – a taxa de câmbio comercial está em R$ 2,43.

“Não há motivo para isso [apostar em queda da Bolsa ou alta do dólar]. Agora, se alguém tentar fazer isso vai quebrar a cara. Rali contra o câmbio vai quebrar a cara porque nós temos US$ 380 bilhões de reservas. Somos poderosos nessa área. Não tem razão para fazer rali, mesmo porque a política que nós vamos praticar está clara, não tem mistério. E acredito que é uma política que interessa a todos, à maioria da população”, disse Mantega ao jornal.

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Ao fazer um balanço sobre seus 8 anos e meio à frente do Ministério da Fazenda – o que o coloca como ministro mais longevo do Brasil -, Mantega diz que podem ter tidos erros de condução, dando como exemplos os aumentos e cortes de tributos e a política monetária não tão rigorosa, mas que o governo acertou no que era essencial, que era fazer uma política anticíclica e desenvolvimentista. Para justificar isso, ele cita o baixo desemprego no País. “A população brasileira não pagou pela crise”, disse o ministro, que já anunciou que deixará o cargo ao final do ano, mesmo que Dilma seja reeleita. 

Mantega vs Armínio
Mantega não deixou de alfinetar Armínio Fraga, presidente do Banco Central no 2º mandato de Fernando Henrique Cardoso e escolhido por Aécio Neves para ser seu ministro da Fazenda caso ele vença as eleições. O atual ministro disse que o estilo de condução econômica de Armínio – “que vem do meio financeiro” – vai provocar uma disparada nos juros, assim como vimos no passado.

“Sabemos qual é a prática [do Armínio], é só ver a prática que os ortodoxos fazem no mundo todo. Ajuste fiscal mais duro, mais rigoroso, mais rápido. Significa derrubar a economia, causar uma recessão. Isso está no manual deles, sele ele mudou, não sei. Não vi ele afirmando nada que levasse a entender isso”, afirmou o ainda ministro da Fazenda.

Não é a primeira vez que os dois economistas trocam farpas: neste mês, o programa da jornalista Miriam Leitão, no GloboNews, protagonizou um interessante duelo entre Mantega e Armínio, que resultou em um enriquecerdor debate econômico e também em alguns “tapas de pelica” trocados entre eles.

Mantega ainda falou sobre o FMI, economia global e as projeções de crescimento do Brasil. Para ler a entrevista completa, acesse o link oficial clicando aqui.

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