Mantega: “política do salve-se quem puder acaba sendo contraproducente”

Ministro da Fazenda faz balanço do G-20 e afirma que, apesar de avanços, guerra cambial ainda não terminou

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um balanço positivo acerca da reunião de cúpula do G-20, que se encerrou nesta sexta-feira (12) em Seul, na Coreia do Sul.

Segundo o ministro “há um esforço em buscar o desenvolvimento mundial. A cúpula coloca recomendações para que caminhemos nessa direção, principalmente na questão do desequilíbrio de moedas e câmbio”, ao lembrar a assinatura do documento final da reunião, que firma que membros do grupo deverão apresentar uma espécie de balanço econômico de seu país.

China mais resistente às medidas
Mantega frisou que a idéia sofreu com a resistência inicial da China, mas ponderou que “esta política do salve-se quem puder acaba sendo contraproducente. É melhor recuar e não permitir que a guerra vá adiante”.

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Para ele, a guerra cambial não terminou, mas os instrumentos definidos na reunião de cúpula devem facilitar o apaziguamento dos ânimos acerca das discussões cambiais.

“Os ministros das Finanças deverão sugerir, até o fim do primeiro semestre de 2011, as medidas que devem ser adotadas para evitar o desequilíbrio”, afirmou o ministro da Fazenda.

Sistemas múltiplo de moedas
Guido Mantega também voltou a defender a adoção de um sistema múltiplo de moedas, com a finalidade de ampliar as transações comerciais e proteger as reservas, principalmente em momentos de fragilidade do dólar, como nos últimos meses.

“A tendência natural é que à medida que surjam outras economias, ocorra um sistema múltiplo de moedas. Mas não é uma coisa fácil nem rápida de se fazer. Mas manter a reserva em dólar, como ocorre atualmente, dá prejuízo”, afirmou o ministro, lembrando que “antigamente quem mandava na economia mundial eram dois ou três países, mas hoje há uma mudança. Agora não é mais assim. Não é algo imediato”.