Mantega garante que IPCA não estoura meta, e culpa crise pelo crescimento menor

Ministro afirma que BC só comunicará o descumprimento do objetivo de inflação caso índice ultrapasse os 6,55%

SÃO PAULO – Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a inflação oficial no Brasil não vai ultrapassar o teto da meta de 6,5% em 2011. O ministro considera que a média diária do avanço nos preços está menor nesse fim de ano, o que garantiria a taxa dentro do objetivo do Governo.

Apesar disso, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), prévia do índice principal, terminou em 6,56% no acumulado dos 12 meses. Mantega adverte que só seria configurado o estouro da meta caso a inflação ultrapassasse os 6,55% – quando, de acordo com ele, a pasta receberia uma “carta” do Banco Central comunicando o descumprimento.

A previsão do Relatório Trimestral de Inflação do BC divulgada nesta quinta-feira (22) foi exatamente de 6,5%, em cima do objetivo, mas também aumentou a probabilidade de ultrapassagem da meta, de 45% para 55%. O último boletim Focus, por exemplo, estima em 6,52% a taxa oficial de aceleração dos preços em 2011.

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Crescimento poderia ser maior
O ministro ainda garantiu que as projeções da Fazenda mostravam um crescimento de 4% para este ano, mas que a crise observada na Europa trouxe essa proporção para baixo. Ele afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) ainda vai apresentar alta entre 3% e 3,5% em 2011.

“A crise econômica internacional teve impacto de 0,5 a 1 ponto percentual no crescimento por causa da queda na demanda externa”, explicou. Já no que diz respeito a 2012, o aquecimento da atividade deve trazer a expansão para 5%, calcula o ministro. Uma piora no cenário externo, no entanto, poderia novamente reduzir essa expectativa.