Mais da metade das crianças brasileiras com até 6 anos pertence à baixa renda

Brasil conseguiu diminuir mortalidade infantil e subnutrição, mas exclusão social ainda é marcante

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SÃO PAULO – Existem no Brasil cerca de 20,6 milhões de crianças com até 6 anos de idade, o que equivale a 11% da população. Desse total, 11,5 milhões são de famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo.

Mais da metade dessas crianças é negra e 4,7 milhões delas recebem o benefício do bolsa-família. O Brasil é o país com a maior população nessa faixa etária em todo o continente americano.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (22) no relatório Situação Mundial da Infância 2008, pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infânica). Neste ano, conforme veiculou a Agência Brasil, a edição brasileira do relatório teve como foco os seis primeiros anos de vida, considerados fundamentais para o desenvolvimento físico e mental de uma pessoa.

Avanço em algumas áreas

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Segunda a Unicef, houve avanço em algumas áreas, no Brasil. A mortalidade infantil e o índice de desnutrição caíram e, pela primeira vez desde 1999, nenhum estado apresentou IDI (Índice de Desenvolvimento Infantil) inferior a 0,500, considerado baixo.

Em 1999, sete estados brasileiros apresentaram IDI abaixo desse valor, sendo que nenhum outro teve índice acima de 0,800, considerado elevado pela Unicef. Somente em 2006, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro alcançaram esse valor. As regiões Nordeste e Norte possuem o menor IDI, 0,647 e 0,655, respectivamente.

Também houve uma grande melhora nos índices de mortalidade infantil do país. Em 1990, a taxa entre crianças com até 1 ano de idade era de 46,9 para cada mil. Já em 2006 esse número caiu para 24,9. Considerando as crianças com até 5 anos de idade, a redução na mortalidade foi de 50%.

No documento da Unicef também são citados dados do Ministério da Saúde, que indicam que o número de crianças desnutridas com até um ano de idade caiu 60% nos últimos cinco anos. Porém, estima-se que ainda existam 60 mil crianças com peso abaixo do indicado. Já considerando as crianças com até dois anos de idade, a redução foi de 72,4%.

Exclusão Social

Por outro lado, o relatório também revela que as crianças pobres têm o dobro de chances de morrer do que uma rica. A taxa de mortalidade é maior entre a população indígena: 48,5 mortos para cada mil nascidos vivos.

Já a mortalidade entre os filhos de mães negras é 27% maior do que daqueles com mães brancas, atingindo 27,9 crianças por mil.

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Além disso, o Brasil registrou aumento de 2,1% na mortalidade materna, entre 2000 e 2005, passando de 52,3 mulheres para 53,4 por cem mil. A redução da mortalidade materna também faz parte do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio.

Já os indicadores de educação apontam que apenas 15,5% de 11,26 milhões de crianças com menos de 3 anos freqüentam creches. Entre os meninos e meninas com idade entre 4 e seis anos, 76% estão matriculados na pré-escola.

Estados e Regiões

Os estados do Alagoas, Maranhão, Pernambuco e Paraíba são os que possuem as maiores taxas de mortalidade infantil, sendo que as menores estão no Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

Considerando os níveis de desnutrição, a região Nordeste apresenta número quatro vezes maior que o da região Sul. Novamente, Alagoas aparece com o pior índice, sendo que 7% dos meninos e meninas com menos de dois anos de idade estão abaixo do peso. O melhor resultado está no Distrito Federal, onde apenas 0,7% das crianças apresenta problemas de subnutrição.

As únicas regiões que apresentaram queda no índice de mortalidade materna foram Sudeste e Norte, com baixa de 15,6% e 7,7%, na ordem. Já Centro-Oeste, Nordeste e Sul tiveram alta de 39,3%, 16,3% e 2,1%, respectivamente.