Maioria acha que Trump não tem força para tornar Bolsonaro elegível, aponta Quaest

Segundo Genial/Quaest, 59% acreditam que presidente dos EUA não terá influência sobre decisões da Justiça brasileira

Marina Verenicz

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A tentativa de Jair Bolsonaro (PL) de se manter relevante no cenário político, mesmo após ser declarado inelegível até 2030, esbarra na percepção da maioria dos brasileiros sobre a limitação do apoio externo.

De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (28), 59% da população acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem poder para reverter a inelegibilidade do ex-mandatário brasileiro.

Apenas 31% consideram possível que Trump interfira positivamente na situação eleitoral de Bolsonaro, enquanto 10% não souberam ou não quiseram opinar. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

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Apoio limitado até entre eleitores de Bolsonaro

A descrença na capacidade de Trump de influenciar o processo judicial brasileiro é majoritária em todos os segmentos analisados, ainda que em intensidades distintas. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a percepção de que o presidente dos EUA não poderá alterar o quadro jurídico de Bolsonaro é quase unânime: 69% dizem que não há chance de reversão.

Já entre os eleitores de Bolsonaro, o cenário é mais dividido. Há um empate técnico: 46% acreditam na força de Trump para reverter a inelegibilidade, enquanto 45% dizem o contrário — uma diferença dentro da margem de erro de 4 pontos para esse recorte.

Entre os entrevistados que anularam seus votos no último pleito nacional, 59% também consideram que Trump não tem poder para mudar a condição do ex-presidente brasileiro. Apenas 27% veem alguma possibilidade nesse sentido.

Duas condenações no TSE

Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em duas decisões distintas. A primeira, de junho de 2023, considerou que ele cometeu abuso de poder político ao atacar o sistema eleitoral em uma reunião com embaixadores durante o mandato. A segunda, posterior, tratou do uso eleitoral das comemorações do Bicentenário da Independência, em setembro de 2022.

As condenações impedem o ex-presidente de concorrer até 2030. Embora Bolsonaro e aliados insistam em questionar os julgamentos e reforcem alianças com nomes internacionais como Donald Trump, o cenário jurídico depende exclusivamente da Justiça brasileira, algo que a maioria da população parece entender.