Contando os votos

Maia prepara “esquenta” da Previdência para testar o governo, revela jornal

Pelas contas do presidente da Câmara, governo ainda não possui os votos necessários para aprovar o texto

SÃO PAULO – Em meio as indefinições sobre os votos da reforma da Previdência, que ganharam novos contornos na última quarta-feira (29) após Eliseu Padilha afirmar que as concessões no texto chegaram “no osso”, em referência ao pedido do PSDB por mais ajustes em troca de apoio incondicional à proposta, Rodrigo Maia decidirá nesta quinta-feira (30) se colocará a reforma da Previdência em votação na próxima quarta-feira (6), segundo informações do Valor Econômico.

Segundo o jornal, a ideia do presidente da Câmara é fazer um “esquenta” para testar o governo e medir a real força da sua base aliada, já que, segundo as contas de Maia, o governo não possui ainda os 308 votos suficientes para aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) na Câmara e precisa correr para conquistar os congressistas. Não à toa, Temer convocou uma reunião para discutir o tema no domingo, na residência oficial do presidente da Câmara, com líderes e presidentes dos partidos da base, para fazer um levantamento final sobre os votos, revela O Globo.

Sem os votos necessários, a base aliada segue forçando o presidente por mais concessões. Além da “reforma da reforma” do PSDB (veja mais aqui), o presidente Michel Temer precisa estabelecer uma estratégia efetiva de conquista de corações e mentes da grande massa de deputados. O baixo clero continua sem posição ideológica na temática previdenciária, mas tem sido impactada pelo pragmatismo da reeleição no ano que vem – confira a análise completa.

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Sendo assim, a única alternativa para converter apoio do “chão de fábrica” do parlamento seria resolvendo problemas pontuais de cada congressista no sentido de ajudá-los em seus planos para 2018. Pelo cálculo parlamentar, dependendo da contrapartida oferecida pelo Palácio do Planalto, pode valer a pena o desgaste da votação de uma medida impopular. A dúvida seria se resta tempo para negociações no varejo, credibilidade e caixa suficiente para arcar com esses custos.

Minha vez

De acordo com a coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, o PMDB tem na mesa três condições para apoiar a candidatura do governador Geraldo Alckmin ao Planalto: i) PSDB aprovar não só a reforma da Previdência como também a tributária, que voltará a ser prioridade do governo; ii) Alckmin se comprometer a defender o legado do presidente Michel Temer antes, durante e depois da campanha; iii) indicar um candidato comum ao governo de São Paulo.