Pandemia

Maia critica plano de Guedes e diz que agenda dos próximos 45 dias será focada em respostas ao coronavírus

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, presidente da Câmara reclama da falta de medidas econômicas de curto prazo para lidar com efeitos da doença

(Marcelo Camargo/Ag. Brasil)
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SÃO PAULO – As respostas até o momento dadas pelo governo Jair Bolsonaro para os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus têm sido consideradas insuficientes pelos parlamentares e a estratégia do ministro Paulo Guedes (Economia) de transferir responsabilidades ao Poder Legislativo enviando um ofício com uma lista de matérias que gostaria de ver aprovadas gerou incômodo entre os congressistas.

Esse foi o tom do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (13). Para ele, o governo tem tratado de forma “correta” e “competente” a crise do ponto de vista da saúde pública. Mas os instrumentos econômicos usados até o momento estariam deixando a desejar.

“Compreendi o que ele [Guedes] quis dizer. Precisamos continuar olhando projetos de lei e emendas constitucionais que ajudam a melhorar o ambiente de negócios no país. Em relação a essa parte da participação dele, entendi muito bem. O que preocupou os parlamentares é que certamente teremos impacto de curto prazo e que essas reformas de médio e longo prazo não vão resolver. Temos uma crise de pandemia de um vírus que começa a crescer no Brasil”, disse o deputado.

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“O que incomodou os parlamentares é que não sentimos e não vimos, se ele [Guedes] não podia falar ou se ainda não organizou, as soluções para os problemas de curto prazo, como nos setores da aviação civil e de serviços”, complementou. “Se olhar os projetos, tem pouca coisa que impacte a agenda de curto prazo ou quase nada. Temos um problema de seis meses”

As falas de Maia ocorreram no dia seguinte a uma reunião de emergência realizada na Câmara, que contou com a participação de Guedes. A percepção das lideranças que participaram do encontro foi de que o governo não está tendo a dimensão dos efeitos da crise sobre a atividade econômica, provocados pela propagação da doença.

“Não posso imaginar que, numa crise desse tamanho, o ministro tenha encaminhado uma lista de 19 projetos para transferir a responsabilidade para nós. Não posso acreditar que um homem de 70 anos, com a experiência dele, tenha mandado isso com essa intenção. A crise é tão grande que a gente não tem direito de imaginar que o ministro da Economia de uma das maiores economias do mundo, o com mais poder desde a redemocratização, possa ter pensado de forma tão medíocre”, afirmou o presidente da casa legislativa.

Na entrevista, Maia cobrou uma maior abertura do governo à participação dos parlamentares na formulação de medidas para enfrentar as consequências econômicas para a crise. “A indústria automobilística, por exemplo, teve um resultado em setembro ruim. O setor de serviços vai desempregar muito? O setor de aviação precisa de apoio? Como faz com as empresas de turismo que compram assentos nos aviões, quartos de hotel olhando o futuro e vai começar a ter um cancelamento? O setor de entretenimento vai começar a cancelar eventos como já está acontecendo nos EUA”, pontuou.

Segundo Maia, a agenda dos próximos 45 dias será focada no combate aos efeitos econômicos do novo coronavírus.

Quando questionado sobre a decisão dos parlamentares de derrubar um veto presidencial relacionado ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), concedido a idosos e deficientes de baixa renda, Maia disse que trabalhou contra e disse que a posição da maioria dos colegas foi um erro. “O momento de gerar uma despesa de forma racional ou menos racional foi completamente equivocado. Geramos uma despesa de R$ 20 bilhões e sinalizamos que pode ter um risco de desorganização da pauta pelos próximos seis meses”, afirmou.

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