Punição premiada

“Mágica da delação” reduz de 283 para 7 anos penas na Lava Jato, revela Folha

Dois nomes que aderiram à delação e já foram condenados cumprem pena de nove anos em regime aberto, sem tornozeleira eletrônica, embora tenham confessado crimes que possibilitariam punições superiores aos 40 anos atrás das grades

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SÃO PAULO – Em meio ao cabo de guerra entre quem defende a legitimidade de delações premiadas pelo avanço das investigações e aqueles que refutam o mecanismo em questionamento da validade dos depoimentos e da impunidade de quem se submete, o jornal Folha de S. Paulo publicou nesta segunda-feira (18) um levantamento que mostra que as penas dos 13 delatores já condenados pela operação Lava Jato e que aderiram ao acordo reduziram de 283 para 7 anos.

Dois nomes que aderiram à delação e já foram condenados cumprem pena de nove anos em regime aberto, sem tornozeleira eletrônica, embora tenham confessado crimes que possibilitariam punições superiores aos 40 anos atrás das grades: Augusto Mendonça e Julio Camargo, respectivamente, ex-executivo e ex-consultor da Toyo Setal. Os dados usam como base levantamento divulgado pelo juiz Sérgio Moro no fim de 2014. Para críticos ao instrumento, esse seria um sinal de impunidade inaceitável, além do aspecto moral duvidoso da premiação a práticas de traição. A contrapartida vem de outro questionamento ético sobre a validade de se manter fidelidade em práticas criminosas.

Para Moro, as delações premiadas têm sido indispensáveis para o avanço das investigações. Muitos defendem que a forma de se punir com mais eficácia os peixes grandes em uma rede criminosa, aprimorar as ferramentas de averiguação e garantir maior punibilidade. Ouvido pela reportagem de Thais Arbex, o procurador da República Deltan Dallagnol afirmou que os cerca de 40 acordos de colaboração feitos permitiram acusações criminais contra 179 pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sendo que 80 já foram condenadas. Segundo ele, as penas somam 783 anos de prisão.

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