Lula x Flávio: os erros e acertos das campanhas no 2º turno, segundo analistas

A três dias da eleição que definirá o próximo presidente, analistas debatem resultado das pesquisas e decisões tomadas pelos candidatos

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A três dias do segundo turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da campanha eleitoral empatados tecnicamente na maioria das pesquisas. A proximidade entre os candidatos aponta para a eleição à Presidência da República com a menor diferença de votos desde a redemocratização. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney destacam erros e acertos das campanhas e projetam o que esperar das urnas no dia 25.

De acordo com a pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (21), Flávio aparece com 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula. Uma diferença de 2,2 pontos percentuais.

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A proximidade entre os dois candidatos é reforçada pela pesquisa Quaest, também divulgada nesta quarta. Na projeção, o senador agrega 45% das intenções de voto, enquanto o petista registra 44%.

Para a professora de Ciência política da UFRJ, Mayra Goulart, a vantagem de Flávio nas urnas no 1º turno, quando conquistou 47% dos votos válidos ante 45% de Lula, reforça a consolidação da candidatura de direita nestas eleições, mas não representará, necessariamente, que o resultado se repete no 2º turno.

“O histórico de vitórias de quem liderou o primeiro turno nas eleições presidenciais brasileiras é relevante, mas não constitui uma regra capaz de determinar o resultado seguinte. Trata-se de um conjunto pequeno de eleições, realizadas em condições diferentes. Em suma o resultado está completamente em aberto”, destaca Mayra.

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O cientista social e professor de Políticas Públicas da UFABC, Ivan Filipe Fernandes, reforça o alerta de que a vitória no domingo (25) não está garantida para nenhum dos candidatos.

O docente também destaca que o resulto do 1º turno acendeu um alerta ao petista de que bons indicadores econômicos no governo não são mais suficientes para sustentar uma vantagem na eleição.

“O Brasil tem uma taxa de desemprego baixa e inflação razoavelmente controlada. O governo estava muito confiante que os resultados econômicos garantiriam o apoio ao presidente da república, dado o efeito do voto econômico, importante sobretudo nas eleições presidenciais, mas essa não foi a resposta das urnas. Então o petismo entendeu que precisa ir às ruas e fazer campanha novamente”, destaca Fernandes.

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Fernandes também pontua que, do outro lado, Flávio saiu confortável das urnas com a inesperada vantagem, o que pode ser prejudicial para a campanha do Partido Liberal caso mantenha a postura de que a eleição já foi ganha.

Do outro lado, segundo o pesquisador, a campanha de Lula compreendeu o fenômeno que norteia a disputa na reta final, baseado em um grupo seleto de eleitores indecisos poderá definir o próximo presidente da República.

A nova rodada Quaest corrobora com a leitura de que a campanha petista conseguiu reagir à derrota no 1º turno. Além da aproximação, Lula conseguiu o feito de diminuir o índice da rejeição de 53% para 47%, enquanto Flávio oscilou dentro da margem de erro, saindo de 54% para 52%.

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Embora a diminuição na rejeição não implique diretamente no voto, pode sinalizar uma mudança de humor do eleitorado indeciso ou “neutro”, que não se considera nem lulista ou bolsonarista, mas pode passar a ver o petista como uma opção válida no 2º turno.

Os erros e acertos das campanhas

Mayra destaca que mudança de tom na campanha petista e prioridade dada ao ambiente digital pode ter sido um dos fatores responsáveis pela aproximação nas pesquisas, mas tentativa de Lula de rejuvenescer a campanha eleitoral pode levar mais tempo que o disponível para a conversão de votos.

“Vídeos curtos e humor podem ampliar a atenção, mas visualizações não equivalem automaticamente a convencimento. Ainda há tempo para produzir efeitos, especialmente numa eleição em que deslocamentos pequenos podem ser decisivos, mas o limite é que uma rede pode aumentar a circulação das mensagens e recuperar disposição para votar, sem necessariamente eliminar toda a desvantagem digital anterior”, explica.

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A analista também projeta que a mudança de postura de Flávio sobre pautas sensíveis ao eleitorado mais vulnerável, como o apoio ao fim da escala 6×1 e a manutenção de programas sociais em um eventual governo em 2027 são acertos, mas que “curvar” ideias a agenda do governo reforça dificuldade da campanha em progredir além da base bolsonarista.

“O problema central é a credibilidade: como compatibilizar essas promessas com as demais propostas econômicas e com declarações de integrantes da própria coalizão? A aproximação pode ser eleitoralmente vantajosa, mas também abre espaço para cobrança sobre financiamento, prioridades e coerência”, alerta.

“Flávio acerta ao buscar pautas mais interessadas à base eleitoral de Lula, porque o eleitor bolsonarista já está com ele, independente do que ocorra. Talvez isso não garanta mais votos para o Flávio, mas pode reduzir perdas caso ele adotasse uma postura mais agressiva contra essas propostas”, complementa Fernandes.

Para Fernandes, Flávio conta com múltiplas vitórias de aliados no 1º turno das urnas para reforçar a campanha eleitoral com maior presença de governadores e parlamentares eleitos, mas ausência de grandes novidades reforça falta de dinamismo ao buscar eleitores além da base.

Migração de votos

A nova rodada Quaest mostrou um avanço da distribuição de votos dos candidatos derrotados no 1º turno à Lula e Flávio nesta reta final.

Apesar de nenhum candidato ter declarado voto explícito em Lula, o petista conquista uma parcela significante de eleitores mesmo em casos que o presidenciável declarou voto à Flávio, como Augusto Cury.

Entre os eleitores do escritor, 48% pretendem votar em Lula no dia 25. Na rodada anterior, publicada em 14 de outubro, somente 34% confirmava a transferência de voto. Os que declararam voto em Flávio passaram de 30% para 33%.

Por outro lado, o apoio do eleitorado de Ronaldo Caiado (PSD) para Flávio, a quem o ex-governador de Goiás declarou voto, saltou de 40% para 51%, enquanto os que votarão em Lula subiu de 15% para 25%.

Para Mayra, a ausência de uma migração direta de votos ao “eleito” pelos presidenciáveis reforça a diferença entre o voto de 1º turno e 2º. Para a especialista, no primeiro turno, pessoas podem escolher o mesmo candidato por razões diferentes: identificação ideológica, avaliação pessoal, rejeição aos favoritos ou desejo de renovação.

“A maior afinidade com a direita ajuda a formular uma hipótese para a migração dos eleitores de Caiado. Já o voto em Cury pode ter reunido motivações mais heterogêneas e uma identificação pessoal que não se converte em adesão ao candidato que ele apoia. A pesquisa informa o destino declarado desses votos, mas não demonstra essas motivações”, conclui.

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Caio César
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