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Lula vai atrás de FHC para discutir crise no governo e conter impeachment, diz Folha

O movimento tem como objetivo imediato conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, afirma o jornal; assessoria do petista nega informação

SÃO PAULO – Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, para falar sobre o agravamento da crise política. O movimento tem como objetivo imediato conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Amigos de Lula discutiram separadamente com ele e Fernando Henrique a possibilidade de um encontro há cerca de duas semanas, informa o jornal. Os contatos ocorreram às vésperas do tucano viajar de férias para o exterior; FHC preferiu deixar a definição para quando voltar ao Brasil, em agosto.

E este não foi o primeiro aceno do petista na direção da oposição; em maio, ele encontrou o senador José Serra (PSDB-SP) na festa de um amigo e o chamou para uma conversa reservada. O jornal informa que a intenção do petista é buscar um conciliador na oposição para tentar dissipar as forças que trabalham pelo impeachment de Dilma, pelo menos dentro do PSDB.

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A assessoria de imprensa do Instituto Lula afirmou ao jornal que o ex-presidente não tem interesse em conversar com FHC e nem soube de nenhum interesse por parte de seu antecessor. Já FHC disse ao jornal: “o presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público”. 

Já Serra não confirmou o conteúdo da conversa que teve com Lula em maio e disse que não teve encontro marcado com ele. Segundo a Folha, as informações sobre a movimentação de Lula foram confirmadas por integrantes do Instituto Lula e políticos de três partidos. Para a assessoria do petista, relatos anônimos servem apenas para alimentar “especulação”. Já no PSDB, há dúvidas sobre se as conversas são convenientes, já que um diálogo com o PT poderia ser visto como um conchavo e arranhar a imagem do partido.