Lula vai ao Paraguai para assinar acordos e é criticado pela imprensa local

Em visita oficial, o presidente trata sobre fronteiras e biodiesel, mas desagrada ao não falar sobre Itaipu

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SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em visita oficial no Paraguai nesta segunda-feira (21). Lula viajou para tratar com o presidente paraguaio Nicanor Duarte sobre formas de energia, como o pacote de acordos para incentivo à produção de biodiesel paraguaio que deve ser assinado hoje, acordos de cooperação nas áreas de defesa e combate à febre aftosa.

Outro tema que, segundo a oposição do Paraguai, deveria ser tratado era a renegociação do Tratado de Itaipu, porém o assunto foi deixado de fora da agenda da viagem. O Tratado estabelece as regras da venda de energia. Segundo a oposição e alguns veículos de comunicação, o preço pago pelo Brasil pela energia produzida pela usina que os paraguaios não consomem não é justo.

Os adversários de Duarte exigem uma imposição maior do governante sobre as decisões dos brasileiros. Segundo o Tratado, os paraguaios são proprietários de 50% da energia produzida por Itaipu, porém eles só utilizam o correspondente a 6% do total produzido, vendendo o restante para o Brasil. Em 2006, o Paraguai recebeu US$ 373 milhões pela venda de energia aos brasileiros.

Reação da imprensa paraguaia

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O jornal paraguaio ABC Color publicou uma matéria nesta segunda-feira, em que afirma que “Lula chega com seus espelhinhos” ao país, uma alusão aos presentes trazidos pelos europeus aos indígenas no período de colonização do Brasil em troca das riquezas naturais do país.

Reafirmando a visão nacionalista apresentada em um artigo no domingo passado, no qual o jornal classifica o Brasil como um país “imperialista e explorador”, nesta segunda-feira o jornal qualifica o Brasil como praticante de uma “vil exploração” em relação à Itaipu. A publicação também afirmou que “os governantes brasileiros, ávidos e colonialistas, não devem permitir que o roubo descarado da eletricidade paraguaia continue alimentando o ódio e o antagonismo em relação a seu povo”.

O jornal ainda publica que a situação “conduz a violência… como no caso do canal do Panamá, reconquistado pelo Panamá à força” e cita a Bolívia como bom exemplo atual para o presidente Lula, “Bolívia, um país pobre e indefeso que graças à coragem e patriotismo de seus atuais dirigentes conseguiu multiplicar o preço irrisório que Brasil e Argentina lhe pagavam por seu principal recurso, o gás natural.”