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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou reforçar a parceria institucional com Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura do ano Judiciário e levar ao Congresso os temas que pretende explorar no palanque eleitoral de 2026. O fim da escala 6×1 sem redução salarial e a tramitação da PEC da Segurança Pública e do projeto de combate às facções criminosas foram elevados ao topo das prioridades legislativas do petista. Lula, no entanto, terá pouco tempo para aprovar o que deseja, já que em anos eleitorais, tradicionalmente, os trabalhos legislativos se concentram no primeiro semestre.
Com período restrito para articulação e num cenário de desconfiança mútua entre o Planalto e a cúpula do Congresso, Lula dirige seus esforços para tentar deixar algum legado da gestão no enfrentamento ao crime, topo da preocupação dos brasileiros. Lula está convencido que será cobrado pelo eleitor a apresentar entregas sobre o tema.
Na Corte, o presidente citou algo que deve ser repetido à exaustão na campanha: que o governo tem avançado no combate ao crime organizado chegando aos “magnatas do crime” e que atuam no “andar de cima”. Com o exemplo da Operação Carbono Oculto, que destrinchou as conexões do PCC com fintechs para lavar dinheiro, o petista tenta se afasta do estigma de leniência contra o crime e se aproxima de uma retórica de lei e ordem com recorte econômico.
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— Não importa onde os criminosos estejam. Não importa o tamanho de suas contas bancárias. A Polícia Federal está aprofundando as investigações. E todos pagarão pelos crimes que cometeram — disse Lula.
O petista também faz um movimento de blindagem institucional do STF e da Justiça Eleitoral, ao afirmar que a Corte, ao ser “guardiã da Constituição, do Estado Democrático de Direito e da soberania do voto popular”, “não buscou protagonismo” e “agiu no estrito cumprimento de sua responsabilidade institucional”, uma resposta indireta à crítica recorrente de ativismo judicial feita por outras forças políticas.
Lula buscou preparar um terreno de para um ano eleitoral ao enumerar cinco desafios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas quais destacou uso criminoso das redes sociais para disseminar “desinformação” e o potencial nocivo da inteligência artificial para “falsificar fotografias, áudios e vídeos de qualquer pessoa”, sem deixar de citar o abuso do poder econômico.
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Em tom pré-eleitoral, Lula usou a mensagem ao Congresso, entregue pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, para sustentar que o governo chega a 2026 com resultados econômicos e sociais que contradizem previsões pessimistas feitas no início do mandato.
Ao destacar crescimento do PIB, queda do desemprego, inflação controlada e recordes de investimentos estrangeiros, Lula afirmou que “o Brasil chegou ao fim de 2025 mais forte do que nunca”. O governo vê o braço econômico como tripé importante a ser explorado na campanha e que ficará cada vez mais presente nas falas de Lula.
Na área social, Lula mirou o eleitorado pêndulo das eleições e afirmou que o Brasil “caminha para se tornar um país de classe média”, com a classe C representando mais de 60% da população, e pediu a regulação do trabalho por aplicativos, ainda que o governo siga patinando no tema e admita, internamente, ser pouco provável avançar no assunto em ano eleitoral.
Com encontros marcados com líderes do Congresso, Lula usará as primeiras semanas dos trabalhos legislativos para buscar uma aproximação com parlamentares e deixar claro seus temas prioritários no curto ano de trabalhos legislativos.
Além do fim da escala 6×1 e da segurança pública, Lula mira o público feminino. O presidente defendeu na mensagem ao Congresso o fortalecimento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, como exemplo de ação conjunta entre os três Poderes para o enfrentamento da violência contra a mulher.
