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Durante reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), na terça-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso em defesa da erradicação da fome no Brasil, e afirmou que, caso seja derrotado nas eleições de 2026 e “entre qualquer coisa para governar o país”, a fome poderá voltar a assombrar a população.
“Se deixar o governo e entrar uma coisa qualquer nesse país, a fome volta outra vez. Porque não é prioridade [para outros]. Não deveria ser um compromisso de governo, deveria ser uma obrigatoriedade constitucional. Num governo que tiver alguém passando fome, tem que decapitar o presidente”, disse Lula, em tom de indignação, arrancando aplausos dos participantes.

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O presidente chorou ao relembrar episódios de fome que enfrentou durante a juventude, quando trabalhava como operário na indústria metalúrgica Villares, em São Bernardo do Campo (SP), na década de 1960.
“Eu era muito novo de fábrica e os companheiros ficavam oferecendo alguma coisa para você. ‘Ô, Lula, você não vai comer?’ ‘Eu não tô com fome’. E cada vez que eles colocavam o sanduíche de mortadela na boca eu imaginava eu mordendo aquele sanduíche. E ficava lá o tempo inteiro com vergonha de dizer que estava com fome. Isso aconteceu várias vezes”, disse, com a voz embargada.
Lula também relatou que comeu pão pela primeira vez apenas aos sete anos de idade. “Porque onde nasci nem tinha dinheiro para comprar pão, nem tinha lugar para comprar pão”, lembrou.
Fome como pauta política e moral
A reunião com o Consea, órgão de assessoramento do governo federal recriado por Lula em 2023, reforçou o papel simbólico e estratégico do combate à fome no terceiro mandato do petista.
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Ao adotar um discurso que mistura memória pessoal e crítica estrutural, o presidente busca reconectar sua imagem à defesa dos pobres e sinalizar risco de retrocesso em caso de mudança de governo em 2026.
O Palácio do Planalto busca ampliar o protagonismo de políticas sociais e enfrentar os desafios econômicos impostos pela crise fiscal e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao agronegócio brasileiro, medida que afeta o preço dos alimentos e a renda do setor.