Em entrevista

Lula se diz “perseguido” porque governou com foco nos mais pobres

À Rádio O Povo/CBN, o petista ainda afirmou que recorreu à ONU ao protocolar petição contra o juiz federal Sérgio Moro por abuso de poder por "exigir que haja respeito"

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SÃO PAULO – Em entrevista à Rádio O Povo/CBN, de Fortaleza, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, se necessário, “morrerá dentro do PT”. “Sou homem público, criei o PT, se tiver que morrer dentro de um partido será no PT e sei o que significou ao povo brasileiro a minha chegada à Presidência da República”, afirmou.

O petista também atacou ações da Polícia Federal e do Ministério Público, por “julgar e condenar” antes mesmo de o acusado se defender, além de vazar informações sem provas. “A Polícia acusa, o MP vaza para a imprensa antes de ter prova. A única coisa que eu quero é respeito. O Lula quer ser tratado com igualdade de condições. É isso que eu estou reivindicando nesse País: direito de defesa, que o MP não vaze as coisas seletivamente”. Ele ainda se disse perseguido porque governou com foco nos mais pobres: “na história da humanidade, todo mundo que governou olhando para os mais pobres, foi perseguido”.

Ele ainda afirmou que recorreu à ONU ao protocolar petição contra o juiz federal Sérgio Moro por abuso de poder por “exigir que haja respeito”. “Entrei na ONU para exigir que haja respeito. A única coisa que quero é respeito. O Lula não quer ser tratado diferentemente do que o mais pobre deste país. O Lula quer ser tratado em igualdade de condições”. 

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Sobre possibilidade de se candidatar, Lula disse: “não posso ficar querendo me comportar como se fosse um salvador da pátria”, ressaltou. Porém, no final da entrevista, ele destacou que pode ser candidato em 2018: “eu não sou candidato porque eu peço a Deus para que apareça gente mais nova do que eu. Agora é o seguinte: se tentarem mexer nos direitos dos trabalhadores, não se iludam, porque se for voltar eu volto, se for preciso ser candidato, eu sou. O que eu quero é que esse país continue andando para frente”.

O petista reafirmou que o presidente interino Michel Temer “deu um golpe” e que estamos vivendo uma espécie de estado de exceção com o governo do peemedebista. Ele disse que vai à Brasília na próxima semana para conversar com senadores em busca de votos favoráveis para Dilma Rousseff. “Não tem nenhum direito o Senado e a Câmara de cassar a Dilma por crime de responsabilidade. Ou assume politicamente que é um golpe, um golpe parlamentar, que quer antecipar a saída da presidente para que eles possam assumir ou vão ter que prestar contas e dizer que são golpistas”, apontou.

Lula ainda afirmou que o senador cassado Delcídio do Amaral (PT-MS) mente ao apontá-lo como um dos responsáveis pela tentativa de compra de silência do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró: “é só olhar na cara dele [Delcídio] e você percebe que ele está mentindo. E é com isso que se pede o meu indiciamento. Sinceramente, eu como ser humano fico ofendido moralmente porque acho que respeito, gosto de dar e receber. Isso não está acontecendo nesse momento e por isso entrei na comissão de direitos humanos”.