Lula retorna a Moscou e tenta convencer Putin a negociar diretamente com Zelensky

Presidente brasileiro busca garantir presença de Putin em reunião com líder ucraniano em Istambul

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. Grande Palácio do Kremlin, Rússia - Moscou.

 

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. Grande Palácio do Kremlin, Rússia - Moscou. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou à Moscou nesta quarta-feira (14), em uma escala que pode se transformar em uma tentativa de intermediação direta para a paz na guerra entre Rússia e Ucrânia. Lula afirmou que buscará convencer o presidente russo, Vladimir Putin, a participar pessoalmente de uma negociação com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, prevista para ocorrer em Istambul, na Turquia.

Em entrevista coletiva antes de deixar Pequim, o presidente brasileiro revelou que recebeu um apelo do chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, transmitido pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para que Lula atuasse como mediador junto a Putin. O objetivo é garantir a presença do líder russo nas negociações e avançar em um cessar-fogo para o conflito, que já dura mais de três anos.

“Eu, quando parar em Moscou, vou tentar falar com o Putin. Não me custa nada falar: ‘Ô, companheiro Putin, vá até Istambul negociar, porra. Não custa nada’”, afirmou Lula.

Tentativa de mediação e apoio chinês

A viagem de Lula a Moscou ocorre em meio a uma série de esforços diplomáticos do Brasil e da China para promover o diálogo entre os lados em conflito. Na terça-feira (13), os governos de Brasil e China divulgaram uma declaração conjunta em que defendem uma solução negociada para a crise na Ucrânia, destacando a necessidade de que as preocupações legítimas de todas as partes sejam consideradas.

“O Brasil e a China avaliam positivamente os recentes sinais de disposição ao diálogo e manifestam sua expectativa de que as partes possam alcançar um entendimento que viabilize o início de negociações frutíferas”, diz o comunicado conjunto.

Rússia não confirma encontro

Embora Lula tenha manifestado a intenção de conversar com Putin durante a escala em Moscou, o Kremlin ainda não confirmou se o encontro ocorrerá. Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo, declarou à imprensa que, “no momento, não posso dizer nada sobre isso. Se os contatos forem acordados de alguma forma, nós o informaremos imediatamente”.

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O retorno de Lula a Moscou, mesmo em caráter de escala técnica, chamou a atenção da imprensa russa e internacional, que especula se o presidente brasileiro conseguirá avançar na sua proposta de mediação.

O papel de Lula nas negociações

Desde o início de seu mandato, Lula tem defendido uma abordagem multilateral para resolver o conflito na Ucrânia. Durante sua visita recente a Moscou, onde participou das comemorações do Dia da Vitória sobre o nazismo, Lula já havia abordado o tema com Putin. Segundo o presidente brasileiro, ele transmitiu a Putin um pedido de trégua de 30 dias feito pelo governo ucraniano, ao que Putin teria respondido estar disposto a discutir a proposta.

Agora, a estratégia de Lula é garantir que ambos os presidentes, Putin e Zelensky, estejam presentes em Istambul para negociações diretas, em vez de manter o diálogo apenas entre delegações. Pelo lado russo, o vice-chanceler Sergey Ryabkov já foi designado para representar Moscou.