Lula rebate Trump e afirma que Brasil “não vai ficar de joelho” diante dos EUA

Presidente brasileiro desmente acusações sobre parceria comercial e critica invasão do Capitólio, afirmando que presidente americano seria julgado no Brasil

Gabriel Garcia

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante cerimônia de assinatura de medida provisória que estabelece um conjunto inicial de ações para mitigar o impacto econômico da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar as tarifas de importação de produtos brasileiros em até 50%, no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 13 de agosto de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante cerimônia de assinatura de medida provisória que estabelece um conjunto inicial de ações para mitigar o impacto econômico da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar as tarifas de importação de produtos brasileiros em até 50%, no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 13 de agosto de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (14) que o Brasil “não vai ficar de joelho” para os Estados Unidos e classificou como mentira a declaração do presidente americano Donald Trump, que chamou o país de “péssimo parceiro comercial”.

Durante evento em Pernambuco, Lula ressaltou que o Brasil mantém uma relação comercial sólida, mas não aceitará submissão ao governo americano.

“É mentira quando o presidente norte-americano diz que o Brasil é um mau parceiro comercial. O Brasil é bom, só não vai ficar de joelho para o governo americano”, disse Lula.

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Lula também disse que a “democracia está julgando Bolsonaro” e criticou Trump, dizendo que, se o presidente americano tivesse cometido a invasão do Congresso dos Estados Unidos no Brasil, também seria julgado e preso pelo Judiciário brasileiro.

“Ele invadiu o Capitólio, morreram cinco pessoas. Eu disse ao presidente Trump: se você morasse no Brasil e tivesse feito o que fez nos EUA aqui também você seria julgado e se culpado, iria para cadeia”, disse o presidente.

Trump fez as declarações durante conversa com jornalistas na Casa Branca, onde também criticou o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando-o como uma “execução política”.

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“Eu conheço esse homem e vou lhe dizer — acho que ele é um homem honesto. O que fizeram é uma coisa… Isso é realmente uma execução política que estão tentando fazer com o Bolsonaro”, afirmou Trump.

Ao ser questionado sobre as tarifas aplicadas pelo Brasil e outros países da América Latina, além da aproximação desses países com a China, Trump afirmou que não está preocupado, mas voltou a atacar o Brasil.

“Eles cobram tarifas enormes, muito maiores do que as que nós cobramos. Agora estão sendo cobrados 50% de tarifas, e não estão felizes, mas é assim que funciona”, disse.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que o Brasil mantém déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009. Em 2024, o déficit, considerando produtos e serviços, ultrapassou US$ 28 bilhões.