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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o governo de Donald Trump nesta quinta-feira (14), após a suspensão do visto americano de Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde e idealizador do programa Mais Médicos.
A medida foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sob a alegação de que o programa configuraria uma “exportação coercitiva de mão de obra” do regime cubano.
Durante evento da Hemobrás, em Pernambuco, Lula associou a sanção a uma ofensiva política mais ampla contra Cuba, país que descreveu como “vítima de um bloqueio injusto” há sete décadas. “Ele [Trump] não é imperador”, afirmou o presidente, defendendo o fim do embargo econômico imposto desde 1962 e pedindo que os cubanos “possam viver em paz”.
Mozart é figura central no Mais Médicos, programa criado em 2013 no governo Dilma Rousseff para ampliar o atendimento em áreas remotas com apoio de médicos cubanos. Revogado na gestão Bolsonaro, o programa foi retomado por Lula em 2023 e já recebeu reconhecimento em relatório da ONU sobre cooperação internacional em saúde.
A cassação do visto ocorre no mesmo contexto de outras medidas adotadas por Trump contra o Brasil: a tarifa de 50% sobre exportações, o cancelamento de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal e a inclusão de Alexandre de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky.
No discurso republicano, essas ações seriam resposta à “perseguição” da Justiça brasileira contra Jair Bolsonaro, narrativa que contrasta com o reconhecimento internacional de que o Brasil mantém instituições democráticas e um Judiciário independente.
