Análise

Lula quer estreia de cinema no horário eleitoral

Na previsão da defesa do ex-presidente, não haverá tempo suficiente para julgamento do registro da candidatura antes do início das propagandas no rádio e na TV

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Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberam uma missão: garantir a estreia do petista no horário eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto, como candidato aguardando a análise do pedido de registro de candidatura.

Esse propósito ganhou relevância depois das declarações de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmando que o registro de Lula deve ser negado “de ofício”. Ou seja, por decisão do ministro relator, assim que o pedido chegar ao gabinete e for verificada a condenação em segunda instância como causa de inelegibilidade.

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Na previsão da defesa do petista, protocolado o pedido de registro no dia 15 de agosto, o edital com os candidatos de ser publicado no dia 17 seguinte. A partir daí, começa a contar o prazo de 5 dias para impugnações, em seguida o de 7 dias para a defesa se pronunciar. Esse trâmite se encerraria no dia 29 de agosto, deixando o TSE com pouco tempo para julgar o registro em plenário, antes do início do horário eleitoral, dois dias depois.

Interlocutores de Lula afirmam que ele deixou boa quantidade de material gravado para essa première cinematográfica, que teria como ponto forte a imagem do líder petista sendo carregado pelo povo no dia de sua prisão. Os marqueteiros já trabalham nessa peça, considerada um ponto de referência para a campanha.

Esse plano, no entanto, enfrentará dificuldades. A primeira delas é que essa tramitação depende muito do relator que será sorteado para analisar o registro de Lula. Digamos que o pedido seja negado de pronto pelo ministro escolhido e nem faça parte do edital de candidatos. Nesse cenário hipotético, Lula sequer poderia ser considerado candidato e não haveria prazo para impugnação, acelerando bastante essa tramitação.

Pelo menos três ministros do TSE admitem reservadamente essa possibilidade e todos têm citado nos bastidores a necessidade de que o tribunal dê respostas rápidas para evitar insegurança jurídica nas eleições.

Politicamente, a avaliação nas fileiras petistas é de que qualquer derrota na justiça traz um ganho para a imagem de vítima que Lula sustenta. Mesmo que acumule negativas nos tribunais, o PT avalia que estará agrupando votos que, mais tarde, poderão ser transferidos de Lula para outro candidato ficha limpa abençoado por ele.

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