Lula: esquerda também tem de aprender a lidar com novos anseios do trabalhador

Durante entrevista, o presidente brasileiro ponderou sobre mudanças na relação de trabalho trazida pelos apps e novas tecnologia que precisam ser incorporadas no discurso em prol do trabalhador

Estadão Conteúdo

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou que a esquerda brasileira também precisa aprender a lidar com os novos anseios do trabalhador, após as mudanças nas relações do trabalho. Ele fez a consideração durante entrevista concedida ao podcast brasileiro Calma Urgente! ainda em Barcelona, durante viagem para Europa.

“Não podemos pegar um conjunto de brasileiros e brasileiras que querem trabalhar de um outro jeito e brigar com eles, ou se eles quiserem trabalhar daquele jeito. A opção é tentar mostrar a ele que o que queremos é garantir um sistema de segurança. Nós queremos segurar uma jornada mínima de trabalho. Eles têm que ter uma jornada que não seja escravocrata.”

Lula citou como exemplo o caso de entregadores, que não têm a intenção de pagar o INSS, mas que correm o risco de se machucarem durante o trabalho. “Quando a gente é muito jovem, a gente acha que o mundo não vai ter problema nenhum. A gente nem pensa em aposentadoria. Daqui a pouco a gente chega aos 50, começa a pensar.”

Big techs

O presidente mostrou otimismo em relação ao processo de regulação das Big Techs “da melhor forma possível”, ainda que o debate esteja travado no Congresso Nacional. Para ele, o assunto não pode estar relacionado ao debate de que haveria limites para a liberdade de expressão e nem à promiscuidade.

“A regulação, necessariamente, não está proibindo as pessoas de falarem. Não tem nada a ver com liberdade de expressão”, disse. Em outro momento da entrevista, complementou: “A gente tem que ter a regulação, claro. A sociedade civil tem que estar satisfeita com o funcionamento das redes digitais.”

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