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O governo brasileiro iniciou uma avaliação interna sobre o convite feito pelos Estados Unidos para que o país integre um novo fórum internacional voltado à Faixa de Gaza. O tema entrou na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve discutir o assunto com o chanceler Mauro Vieira antes de qualquer posicionamento oficial.
A iniciativa foi anunciada por Donald Trump como parte de um plano norte-americano para a fase pós-cessar-fogo no território palestino. Batizado de “Conselho da Paz”, o grupo teria como atribuições iniciais debater governança, reconstrução, financiamento e mecanismos de estabilização política em Gaza.
Minutas do estatuto do órgão, divulgadas por agências internacionais, como Reuters e AFP, indicam um modelo de funcionamento centralizado, com forte protagonismo dos Estados Unidos. Pelo desenho preliminar, Trump seria o primeiro presidente do conselho, responsável por conduzir a agenda e coordenar os trabalhos do colegiado.
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Um dos pontos que despertaram maior cautela em Brasília é o custo de participação. O texto prevê que países interessados em assentos permanentes contribuam com, no mínimo, US$ 1 bilhão. No entorno de Lula, a leitura é que o valor elevado exige uma análise cuidadosa sobre retorno político, alinhamento diplomático e compatibilidade com as posições históricas do Brasil no conflito do Oriente Médio.
Além do aspecto financeiro, há lacunas relevantes sobre o papel efetivo do conselho. Permanecem indefinidos, por exemplo, os critérios de decisão, a divisão de responsabilidades entre os membros e a relação do novo fórum com organismos multilaterais tradicionais, como a Organização das Nações Unidas. O receio é de que a iniciativa funcione à margem das estruturas internacionais já consolidadas.
A proposta americana também gerou reservas em outros países, sobretudo pela possibilidade de o conselho se tornar um instrumento político paralelo, sem mecanismos claros de legitimidade ou fiscalização.
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Washington divulgou uma lista ampla de líderes convidados, incluindo chefes de Estado e de governo da América Latina, Europa e Oriente Médio, além de figuras próximas ao círculo político de Trump, como Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Abdel Fattah al-Sisi (Egito), o rei Abdullah II (Jordânia), Mark Carney (Canadá), Giorgia Meloni (Itália), Edi Rama (Albânia), Viktor Orbán (Hungria), Nicușor Dan (Romênia) e Nikos Christodoulides (Chipre). Segundo a imprensa estatal russa, Vladimir Putin também teria sido convidado.
O grupo inicial também reúne nomes ligados a organismos financeiros e à diplomacia internacional, sinalizando a intenção de combinar segurança, reconstrução econômica e articulação política. Entre eles estão: o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro de Trump Jared Kushner, o executivo Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, indicado como Alto Representante para Gaza.