Lula e Bolsonaro fazem ofensiva eleitoral no Nordeste

Depois de passar pela Bahia, ex-presidente faz campanha em Sergipe e Alagoas nesta quinta-feira; candidato à reeleição foi a Pernambuco
(Arte: InfoMoney)
(Arte: InfoMoney)

Com objetivos e estratégias diferentes, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) concentram o foco nesta semana na região Nordeste do Brasil, uma das prioridades das duas campanhas à medida que a reta final do segundo turno das eleições se aproxima.

Enquanto Lula pretende consolidar e até ampliar a votação que recebeu na região, a campanha de Bolsonaro trabalha para que o presidente conquiste parte do eleitorado ainda indeciso e diminua a vantagem obtida pelo petista no primeiro turno.

Em 2 de outubro, Lula levou a melhor sobre Bolsonaro nos nove estados nordestinos. O petista recebeu 21,7 milhões de votos na região, enquanto o atual presidente teve 8,7 milhões.

O Nordeste representa um contingente de 42,3 milhões de eleitores, menor apenas que o da região Sudeste (66,7 milhões).

Bolsa Família e combate à fome

Nesta quinta-feira (13), Lula esteve em Sergipe pela manhã e, à tarde, vai a Alagoas. Bolsonaro, por sua vez, foi a Pernambuco.

Ao lado do senador Rogério Carvalho, candidato do PT ao governo de Sergipe, Lula participou de uma caminhada com apoiadores em Aracaju e concedeu uma entrevista coletiva. O petista voltou a criticar Bolsonaro por declarações dadas no dia 5 de outubro, em que relacionou o índice de analfabetismo no Nordeste à expressiva votação de Lula. “Uma notícia importante, pessoal: ‘Lula venceu em nove dos dez estados com maior taxa de analfabetismo’. Vocês sabem quais são esses estados? São do nosso Nordeste. Não é só taxa de analfabetismo alta o mais grave nesses estados. Outros dados econômicos agora também são inferiores nessas regiões”, disse Bolsonaro, na ocasião.

“O atual presidente tem mentido muito. Muitas vezes ele não está fazendo nada. Às vezes, ele mente pensando que as pessoas são bobas e ele tenta enganar as pessoas”, afirmou Lula. “A gente tem que fazer comparações entre governos: quem fez o quê? Nunca antes na história do Brasil um governo colocou tantos recursos na região Nordeste como nós colocamos. Vocês viram a loucura que foi o Bolsonaro dizer esses que os nordestinos votaram em mim porque são analfabetos.”

Segundo Lula, a grande prioridade de seu eventual novo governo será combater a fome e a pobreza no país. “A prioridade máxima, que chega a ser prioridade zero de tão importante, é combater a fome. Não tem explicação científica ou econômica o terceiro maior produtor de alimento do mundo não ter comida para esse povo”, disse o petista.

Em Aracaju, Lula lembrou ainda do Bolsa Família, programa de transferência de renda que se tornou bandeira de seus dois mandatos (2003-2010). O programa foi abolido por Bolsonaro e deu lugar ao Auxílio Brasil, um dos trunfos do candidato à reeleição.

“O Bolsa Família tinha como objetivo obrigar que as crianças permanecessem na escola. Se elas começassem a faltar, a escola comunicaria ao programa, e a mãe pararia de receber o benefício. A mãe também era obrigada a dar todas as vacinas que a criança tinha direito de tomar”, afirmou Lula. “Não era um programa qualquer, de dar dinheiro. Era para fazer as pessoas terem compromisso com elas próprias.”

Além de Sergipe, Alagoas e da Bahia – onde cumpriu agenda de campanha na quarta-feira (12) –, Lula fechará a semana com uma visita a Recife, em Pernambuco, na sexta-feira (14). Ele participará de uma caminhada na cidade.

Bolsonaro em Pernambuco

É justamente no Recife que o presidente Jair Bolsonaro desembarcou na manhã desta quinta. Após a chegada ao Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, na capital pernambucana, o candidato à reeleição seguiu um para um hotel na zona sul da cidade, onde teve uma reunião com aliados e integrantes da campanha.

Segundo a agenda de Bolsonaro, está previsto ainda um pronunciamento aos apoiadores que se aglomeram desde cedo em frente ao hotel.

Ao chegar ao local, o presidente voltou a falar sobre as ações do governo durante a pandemia de Covid-19. Mais uma vez, ele pediu desculpas por eventuais excessos, principalmente por declarações consideradas ofensivas.

“Acredito que tenha feito o possível para ajudar no combate à Covid. Houve, da minha parte, algum exagero em algumas palavras. Peço desculpas, mas faz parte da emoção”, disse Bolsonaro.

O presidente também afirmou que o governo federal estuda a desoneração da folha do setor de saúde.

“Pedi para o Paulo Guedes desonerar a folha da saúde no Brasil. São 17 setores que já estão desonerados, e ele falou que eu poderia anunciar a desoneração da saúde”, disse. “A desoneração passa a ser de 1% a 4% do faturamento bruto da empresa. Vai ser vantajoso e vamos dar mais uma sinalização para questão do piso da enfermagem no Brasil.”

Trechos de ruas e avenidas importantes da zona sul do Recife foram bloqueados pelo Exército e pela Polícia Militar por causa da grande quantidade de apoiadores do presidente que começaram a se reunir nas imediações do hotel.

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”