Eleições 2022

Lula e Bolsonaro crescem na corrida presidencial e reduzem espaço para “terceira via”, mostra pesquisa Ipespe

"Polarização" abre vantagem de pelo menos 16 pontos sobre demais candidatos em simulações de primeiro turno; Lula mantém vantagem no segundo turno

SÃO PAULO – A pouco mais de um ano das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cresceram na corrida ao Palácio do Planalto, segundo a última rodada da pesquisa Ipespe, divulgada nesta quinta-feira (30).

O levantamento, realizado entre os dias 22 e 24 de setembro, mostra que Lula chegou a 30% das intenções de voto no cenário espontâneo (quando o eleitor aponta seu candidato sem que nomes sejam apresentados pelo entrevistador) – oscilação positiva de 2 pontos percentuais em relação a agosto. Já Bolsonaro manteve a segunda posição, passando de 22% para 23%.

Com o movimento, os dois abrem vantagem de 21 pontos sobre outros nomes citados pelos eleitores – o que, combinado com outras informações apresentadas pela pesquisa, pode indicar espaço mais estreito para uma candidatura de “terceira via”.

Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará, recebeu 2% das menções espontâneas. Na sequência, apareceram o ex-juiz federal Sergio Moro (sem partido), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o empresário João Amoêdo (Novo) e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) – cada um com 1% das intenções de voto.

Normalmente, quando mais próximo do pleito, o cenário espontâneo aponta para maior cristalização de apoio aos candidatos. Mas, dada a distância do primeiro turno e o desconhecimento em relação a quem de fato será candidato, os dados devem ser vistos com cautela.

A pesquisa Ipespe, encomendada pela XP, contou com 1.000 entrevistas telefônicas, realizadas por operadores com eleitores de todo o país em amostra proporcional à população nacional. O intervalo de confiança é de 95,5%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a probabilidade de o resultado se repetir dentro da margem máxima de erro, estabelecida em 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Foram feitas duas simulações estimuladas de primeiro turno (quando são apresentados ao eleitor possíveis nomes de candidatos). Na primeira delas, Lula aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 28%. Ciro Gomes aparece com 11%, seguido por Doria, com 5%, e Mandetta, com 4%. O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem 2% das intenções de voto. Brancos, nulos e indecisos somam 7% dos entrevistados.

Lula oscilou positivamente 3 p.p., enquanto Bolsonaro subiu 4 p.p.. Ciro Gomes foi de 10% para 11%, enquanto os outros nomes que pontuaram reuniram 11% das intenções de voto – 6 pontos a menos do que no mês anterior. O cenário, contudo, não é exatamente o mesmo de levantamentos anteriores, o que dificulta comparações.

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Moro, que aparecia com 9% das intenções de voto, deixou de ser considerado nesta simulação e pode ter contribuído indiretamente no crescimento de Bolsonaro. Isso porque o mandatário não apresentou padrão similar em outras partes da pesquisa.

Em cenário alternativo, Doria é substituído por Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e são acrescentadas as candidaturas de Sergio Moro, dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Simone Tebet (MDB-MS) e do apresentador de televisão José Luiz Datena (PSL).

Neste caso, Lula lidera com 42% das intenções de voto – 17 pontos a mais que Bolsonaro. No segundo pelotão, Ciro Gomes aparece com 9%, seguido por Moro, com 7%. Mandetta tem 3%, mesmo percentual de Datena e Eduardo Leite. Simone Tebet conta com o apoio de 1% dos entrevistados, assim como Rodrigo Pacheco. Brancos, nulos e indecisos somam 6%.

Segundo turno

Foram feitas oito simulações de segundo turno. O ex-presidente Lula aparece em cinco delas, superando seus adversários com vantagem superior ao limite da margem de erro. Contra Bolsonaro, a diferença é de 19 pontos. Os dois passaram 8 meses tecnicamente empatados, mas a partir de junho Lula assumiu a dianteira da disputa.

Contra Moro, a vantagem de Lula cresceu. O petista agora aparece com 53% das intenções de voto, contra 34% do ex-juiz. Quatro meses atrás, a diferença era de 3 p.p., o que configurava empate técnico. Moro chegou a liderar a disputa com vantagem superior à margem de erro em três pesquisas realizadas no ano passado.

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Lula também derrotaria Ciro Gomes (49% a 30%), Eduardo Leite (49% a 21%) e João Doria (50% a 24%). Em todos os casos, a vantagem supera os 15 pontos percentuais.

Além do cenário contra Lula, o nome de Bolsonaro é testado contra três potenciais adversários. O presidente aparece numericamente atrás em todas as simulações – inclusive contra Doria (35% a 39%) e Leite (33% a 36%), em que dois meses atrás ele apresentava pontuação ligeiramente superior, embora em situação de empate técnico.

Bolsonaro seria derrotado por Ciro Gomes no segundo turno. A edição de setembro da pesquisa mostra o pedetista com 45% das intenções de voto – 11 p.p. a mais que o atual presidente. Três meses atrás, a diferença era de 4 pontos, o que configurava empate técnico.

Consolidação e rejeição

A pesquisa Ipespe também mostra que, apesar de liderarem a corrida presidencial, Lula e Bolsonaro mantêm patamares elevados de rejeição. No caso do líder petista, 45% dos entrevistados dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Já o atual presidente conta com a antipatia de 60%.

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O levantamento, por outro lado, revela que 39% dizem que votariam com certeza em Lula, e 23% em Bolsonaro. Trata-se de outro indicativo de dificuldades para um nome alternativo à polarização protagonizada pelos dois candidatos. Ainda segundo a pesquisa, 15% afirmam que poderiam votar em Lula e 10% em Bolsonaro.

Avaliação de governo

O presidente Jair Bolsonaro também voltou a experimentar um aumento nos índices de rejeição ao seu governo. Segundo a pesquisa, chegou a 55% o grupo de eleitores que consideram a atual administração “ruim” ou “péssima” – tendência negativa que já dura 12 meses.

O movimento representa uma oscilação negativa de 1 ponto percentual da rejeição ao governo em relação aos números de agosto. O levantamento mostra que o grupo dos que avaliam o governo como “ótimo” ou “bom” se manteve em 23% – menor nível desde que Bolsonaro tomou posse, em janeiro de 2019. Outros 18% veem o governo como “regular”.

O saldo negativo em 32 pontos percentuais entre rejeição e aprovação também é o maior da atual gestão. Ele supera em 24,3 p.p. a diferença média registrada nas últimas 39 pesquisas.

Apesar da piora da percepção do eleitorado sobre o governo federal, a pesquisa Ipespe mostrou alguma melhora de Bolsonaro junto a grupos da sociedade que concentram a maior fatia de apoiadores – seja como recuperação de apoio ou redução de avaliação negativa. São os casos de eleitores com renda familiar mensal superior a 5 salários mínimos e dos evangélicos.

No primeiro grupo, que corresponde a 18% da amostra da pesquisa, saltou de 21% para 33% o percentual de eleitores que classificam a atual gestão como “ótima” ou “boa”. Já no segundo, responsável por 23% da amostra, caíram de 39% para 36% as avaliações negativas.

Vale destacar, contudo, que é natural os percentuais apresentarem maior oscilação nos dados segmentados, tendo em vista o número mais reduzido de entrevistas nos recortes – o que torna a margem de erro maior dentro dos grupos, sobretudo naqueles com menor participação sobre a população geral.

No cenário binário de avaliação de governo, a desaprovação à atual gestão atingiu a marca de 64% – uma alta acumulada de 19 pontos percentuais em relação ao vale de dezembro do ano passado. Já a aprovação ficou em 30%, 1 ponto percentual a mais do que em agosto. Outros 6% não responderam a pergunta.

Economia, noticiário e pandemia

A piora na avaliação do governo Bolsonaro coincide com outras duas variáveis que já apresentaram correlação com a popularidade do presidente: a percepção de que a economia está no caminho errado e a avaliação de que o noticiário sobre a atual administração é majoritariamente negativo.

O levantamento mostra que 64% dos eleitores acreditam que a economia está no caminho errado – 1 ponto percentual abaixo do registro de abril, maior nível da série histórica. Outros 27% concordam com a atual condução da política econômica, enquanto 9% não responderam ao questionamento.

Para 61% dos entrevistados, as notícias que saíram recentemente sobre o governo federal e o presidente Jair Bolsonaro na televisão, nos jornais, nas rádios e na internet foram majoritariamente negativas. Apenas 9% viram um predomínio de matérias favoráveis à atual administração.

Também pode corroborar a piora na imagem do presidente junto à opinião pública a percepção elevada sobre o risco de escalada da crise hídrica. De acordo com a pesquisa, 69% acreditam na possibilidade de o Brasil ter que enfrentar racionamento de energia nos próximos meses. Apenas 25% pensam o contrário.

Em contraste, houve melhora na percepção dos eleitores sobre a pandemia do novo coronavírus. O grupo de entrevistados que dizem ter muito medo do surto de Covid-19 caiu de 39% em agosto para 28% neste mês – menor patamar desde março de 2020.

Os 11 pontos percentuais de diferença se dividiram entre os que dizem não estar com medo da crise sanitária, que saltaram de 25% para 30%, e os que dizem estar com pouco medo, que passaram de 36% para 41%.

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