Lula diz que reforçará com Maduro empenho do Brasil para a paz na América do Sul

Presidente brasileiro está na Guiana, envolvida em uma polêmica centenária com a Venezuela sobre a região do Essequibo

Reuters

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (29) que terá uma reunião bilateral amanhã com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e que dirá a ele que o Brasil vai se empenhar para que decisões sobre a região do Essequibo sejam tomadas “na maior tranquilidade possível”.

O presidente brasileiro, no entanto, ressaltou que não espera uma solução rápida para o problema. “O que nós vamos trabalhar é para que esse assunto continue sendo motivo de muita conversa, de muito debate, e que a gente possa encontrar uma solução da forma mais amigável possível. O que eu estou falando para vocês, vou falar para o presidente Maduro, já falei para o presidente Maduro”, disse Lula a jornalistas que acompanham sua viagem à Guiana.

“O Brasil vai continuar empenhado para que as coisas aconteçam na maior tranquilidade possível. Se em 100 anos não foi possível resolver esse problema, é possível que a gente leve mais algumas décadas”, ponderou o brasileiro.

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O território do Essequibo é rico em petróleo e outros minerais e representa dois terços do país. Ele foi ocupado pelo Reino Unido quando a Guiana ainda era uma possessão britânica, mas a Venezuela questiona essa posse desde o século 19. No início do século 20, uma mediação feita em Paris deu o território aos britânicos, mas a Venezuela nunca aceitou. Atualmente, a questão deve ser decidida pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), mas o país também não aceita essa jurisdição.

Plebiscito e ocupação

Lula disse que não tratou das negociações sobre o Essequibo na reunião bilateral de hoje com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, e que o tema também não fará parte da reunião com Maduro. Segundo o presidente, a hora que os dois países quiserem marcar uma reunião para discutir o assunto, o Brasil irá participar.

No entanto, o assunto deve ser sim tema da conversa de Lula com Maduro, às margens de reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em São Vicente e Granadinas. Ainda que não seja uma negociação formal, o governo brasileiro quer ter certeza que, em um ano eleitoral em seu país, o venezuelano não irá aumentar novamente o tom contra a Guiana.

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No final do ano passado, depois de um plebiscito em que a maioria aprovou o que seria a ocupação da região pela Venezuela, Maduro inflamou o discurso com ameaças de invasão e movimentação de tropas. O discurso irritou Lula, que fez chegar ao presidente venezuelano seu desagrado. Depois de um telefonema de Maduro a Lula, o Brasil passou a participar de mesas de negociações com os dois países, e o tom da disputa baixou.

“O presidente Irfaan sabe, como sabe o presidente Maduro, que o Brasil está disposto a conversar com eles a hora que for necessário, quando for necessário, porque nós queremos convencer as pessoas de que é possível, é possível através de muito diálogo, a gente encontrar a manutenção da paz”, disse Lula nesta quinta.

Promotor da paz

Mais cedo, em declaração à imprensa ao lado de Irfaan, o presidente brasileiro também defendeu a paz na região e disse que o país não aceita a ideia de um conflito na América do Sul. “A integração com a Guiana é parte da estratégia do Brasil de ajudar não apenas o desenvolvimento, mas trabalhar intensamente para que a gente mantenha a América do Sul como zona de paz no planeta Terra”, disse Lula. “Esse é o papel que o Brasil pretende jogar na América do Sul e do mundo.”

Em sua fala, Ali afirmou que Lula era essencial para a manutenção da paz na região — também sem citar diretamente a questão do Essequibo.

Perguntado sobre esse papel pelos jornalistas que cobrem sua visita a Georgetown, Lula disse que era uma “gentileza” de Ali, mas afirmou que o sinal que o Brasil quer dar ao mundo é de diálogo. “É preciso que a gente tenha um pouco mais de paciência para não gerar mais violência. Quando começa a violência a gente sabe como começa, mas não como termina. É mais fácil começar uma reunião antes da violência que tentar fazê-la depois. É esse o sinal que o Brasil quer passar ao mundo”.

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