Lula diz que Petrobras quer preço justo pelas refinarias da Bolívia

O presidente afirma que o assunto não é uma briga entre governos e que, se não for pago o preço justo, recorrerá à Justiça

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (8) que a Petrobras não têm problemas em vender suas duas refinarias na Bolívia, desde que seja pago o “preço justo” pela venda.

“A Petrobras quer um preço justo pelas refinarias. Se não for pago, temos que ir à Justiça internacional para reaver os direitos da empresa”, disse Lula, que não considera a situação como uma briga de governos, mas sim da Petrobras. A decisão de venda das refinarias na Bolívia foi tomada após o governo boliviano conceder à sua estatal o monopólio da exportação do petróleo a preços abaixo do mercado.

O governo boliviano ofereceu US$ 60 milhões à Petrobras pelas duas refinarias, o que considera o valor contábil dos ativos. Já a estatal brasileira quer receber entre US$ 120 milhões e US$ 160 milhões, valores já inferiores ao de mercado, que é cotado em cerca de US$ 200 milhões.

Resposta do governo brasileiro

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O Brasil já toma atitudes de retaliação em resposta ao protecionismo da estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Foi cancelada uma reunião para discutir a concessão de benefícios alfandegários a produtos bolivianos. Uma oferta de crédito para agricultores bolivianos comprarem tratores subsidiados no Brasil também foi suspensa.

Outra decisão que pode ser tomada é a suspensão do reajuste do preço de parte do gás importado pelo Brasil, que daria por ano à YPFB um renda adicional de US$ 100 milhões. Esses contratos ainda não entraram em vigor porque não foram protocolados pela Bolívia.