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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira acreditar que o comportamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não vai dar certo, acrescentando que o Brasil manterá o equilíbrio na tomada de decisões, com base na própria realidade.
Falando no 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção, em São Paulo, Lula ainda afirmou que o Brasil precisa de estabilidade econômica e fiscal, defendendo que o país não pode ser “vítima de um cavalo de pau”.

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“Ninguém pode ser pego todo dia de surpresa com alguma novidade que acontece em algum lugar desse país”, disse

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“Eu estou vendo o comportamento do presidente Trump nos Estados Unidos, eu não sei o que vocês pensam, mas eu acho que não vai dar certo”, disse Lula em seu discurso.
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“Ninguém pega um transatlântico daqueles carregado, e muito carregado, e faz as coisas que estão acontecendo lá. Ninguém brinca que o mundo não existe com quase 200 países”, acrescentou.
Em sua fala a uma plateia composta majoritariamente por empresários, Lula defendeu que é necessário haver previsibilidade e afirmou que aqueles que investem em um país não podem ser pegos de surpresa a todo tempo com novidades e novas medidas.
“A coisa mais importante hoje é o multilateralismo. Quantos anos vocês passaram ouvindo que era preciso ter livre comércio? Quantos anos passaram ouvindo que era preciso ter globalização, que era preciso combater o protecionismo?”, disse Lula.
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“E, de repente, o mundo tem um cavalo de pau, em que um cidadão sozinho acha que é capaz de ditar regras para tudo o que vai acontecer no mundo. Eu tenho que dizer a vocês que pode não dar certo, e por isso é importante que nós brasileiros mantenhamos o equilíbrio para que a gente tome decisões com base na nossa realidade.”
Na semana passada, Trump anunciou o que chamou de “tarifas recíprocas” para as importações de quase todos os países aos EUA em um abalo para o comércio internacional que provocou perdas em massa nos mercados financeiros.
Para o Brasil, o presidente norte-americano anunciou tarifas adicionais de 10%, bem abaixo do que impôs sobre outros parceiros comerciais norte-americanos, como a China e a União Europeia.
Em sua fala, Lula também voltou a afirmar que a economia brasileira terá bom desempenho neste ano, afirmando desta vez que isso acontecerá “apesar da taxa de juros, apesar do Trump”.
“Neste país está acontecendo um milagre. Não é o milagre da macroeconomia, é o milagre da microeconomia”, disse.
Lula voltou ainda a defender que “o dinheiro tem que circular na mão de todos” e não pode “ficar concentrado na mão de meia dúzia vivendo de especulação, vivendo de dividendos e aplicando”.
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“Esse dinheiro precisa circular, é por isso que nós temos hoje a maior e mais importante política de microcrédito da história desse país. Eu quero o dinheiro circulando na mão do povo de baixo, do pessoal do andar de baixo”, afirmou.