Publicidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que a conversa por telefone com Donald Trump, realizada na véspera, reforçou sua percepção de que há uma diferença entre o Trump exibido em público e o que atua nas negociações diretas.
“Eu posso dizer que, toda vez que eu converso com o Trump, eu me surpreendo. Porque, muitas vezes, você vê o Trump na televisão, muito nervoso. Na conversa pessoal, ele é outra pessoa. Eu fiz questão de dizer para ele: temos dois Trump, o da televisão e o da conversa pessoal”, afirmou Lula em entrevista à TV Verdes Mares, no Ceará.

Lula rebate crise no Senado e reforça apoio a Jorge Messias para o STF
Presidente diz não compreender a “polêmica” criada em torno da indicação e afirma que Messias tem qualificação para a Corte

Lula diz que decidirá sobre candidatura à reeleição somente em março
“Se depender de mim, essas tranqueiras que governaram o país não vão voltar. Se for necessário para evitar esses negacionistas, eu serei candidato”, disse o presidente
A ligação marcou o terceiro contato direto entre os dois presidentes desde que os Estados Unidos impuseram sanções ao Brasil. Segundo o Planalto, o telefonema durou cerca de 40 minutos e concentrou-se em duas frentes: tarifas comerciais e combate ao crime organizado internacional.
Lula disse ter insistido para que os EUA retirem as tarifas que ainda incidem sobre parte dos produtos brasileiros, embora tenha considerado “muito positiva” a decisão recente de Washington de eliminar o adicional de 40% sobre itens como carne bovina, café, cacau e frutas.
“Da mesma forma que o povo teve uma notícia ruim, está perto de ouvirmos mais uma notícia boa. Conversei seriamente com Trump, da necessidade dele compreender sobre as duas maiores democracias”, afirmou.
O presidente também confirmou que apresentou a Trump propostas de cooperação contra facções transnacionais e redes de narcotráfico.
Continua depois da publicidade
“Disse também sobre o combate ao crime organizado, mandei documento para ele e disse que estamos dispostos a trabalhar junto na fronteira e onde tiver”, citou Lula. Para ele, o diálogo abre espaço para aprofundar ações conjuntas.
“O crime organizado é um atraso, foi uma conversa extraordinária. Temos o Trump da televisão e o Trump da vida pessoal. Falei para ele da química boa, estamos bem, não há porque ter divergência. Pode esperar, muita coisa pode acontecer”, completou.
A expectativa no governo brasileiro é de que a aproximação aberta no telefonema desta semana facilite novas flexibilizações nas tarifas restantes e acelere negociações econômicas que estavam paralisadas desde o início da crise.