Lula deverá postergar ao máximo o anúncio de sua candidatura, diz analista

O objetivo seria adiar a decisão até o prazo limite para garantir a presença do presidente em uma série de atos oficiais

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SÃO PAULO – O PT (Partido dos Trabalhadores) agendou para o próximo sábado, dia 24 de junho, a sua convenção nacional, que será realizada em Brasília. Essa, teoricamente, será a data em que o presidente Lula deverá confirmar sua candidatura à reeleição.

Apesar de provável, o analista Constantin Jancsó, do banco Santander Banespa, comenta que uma estratégia para permitir que o presidente postergue o anúncio oficial de sua candidatura poderá ser utilizada pelo PT. O objetivo seria adiar a decisão até o prazo limite estabelecido pela lei eleitoral, que acaba no dia 30 de junho.

Estratégia a ser utilizada

Após a confirmação oficial de que será mesmo candidato a reeleição, Lula ficará impedido de comparecer a uma série de atos oficiais, uma vez que poderá ser questionado pelos outros partidos junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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“Mesmo que a convenção aclame o Presidente Lula como candidato, este poderá formalmente delegar a decisão sobre a candidatura ao diretório nacional do partido, que, por sua vez, poderá se reunir às vésperas do prazo final para formalizar a nomeação do presidente Lula para candidato”, avalia Constantin Jancsó.

Problemas a serem enfrentados por Lula

Apesar de as pesquisas de popularidade e intenções de voto apontarem uma grande vantagem do presidente Lula em relação aos seus adversários, existe um problema em especial que preocupa os dirigentes e coordenadores da campanha.

O ponto em questão está relacionado ao risco de o PT não ter aliados na eleição presidencial. Devido a problemas em alguns estados e a limitações sobre coligações impostas pela cláusula de barreira, partidos que nas últimas eleições foram aliados do PT, como o PC do B e o PSB, têm sinalizado a intenção de não se coligarem ao Partido dos Trabalhadores.

Menos tempo de aparição no rádio e TV

Isso significa que Lula provavelmente terá menos tempo que Geraldo Alckmin para falar e apresentar seus projetos durante a propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão, o que não preocupa neste momento, mas pode atrapalhar Lula caso o candidato tucano se mostre mais competitivo nos próximos meses.

“Com PSB e PC do B, além do PRB do vice-presidente José Alencar, Lula teria cerca de 8 minutos na televisão. Mas apenas com PRB, este tempo cai para apenas cinco minutos – bem menos do que os cerca de nove minutos à disposição de Alckmin e a coligação PSDB-PFL”, calcula o analista Constantin Jancsó.