Lula defende a Venezuela e rebate discurso da direita sobre Cuba e esquerda

Em congresso do PCdoB, presidente criticou interferências estrangeiras, disse que Cuba “não exporta terroristas”

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncio dos projetos habilitados pelo Novo PAC Seleções 2025 - Mobilidade Urbana e Renovação de Frota. Avenida Prefeito Newton Cardoso (antiga Avenida Maracanã), Contagem – MG   Fotos: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncio dos projetos habilitados pelo Novo PAC Seleções 2025 - Mobilidade Urbana e Renovação de Frota. Avenida Prefeito Newton Cardoso (antiga Avenida Maracanã), Contagem – MG Fotos: Ricardo Stuckert / PR

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Durante a abertura do 16º Congresso do PCdoB, em Brasília, nesta quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma defesa enfática da soberania da Venezuela e saiu em defesa de Cuba, rebatendo o discurso de setores conservadores que associam governos de esquerda a regimes autoritários.

“O Brasil nunca será a Venezuela, e a Venezuela nunca será o Brasil. Cada um será ele próprio. O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino — e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite sobre como vai ser a Venezuela ou Cuba”, afirmou Lula.

O presidente também criticou o que chamou de “narrativa da direita” de que o Brasil sob o PT se transformaria em uma ditadura. Em tom firme, defendeu o povo cubano e disse que a ilha caribenha é exemplo de dignidade.

“Cuba não é um país exportador de terroristas. Cuba é um exemplo de povo com dignidade. Mas muitas vezes a gente não é entendido”, completou.

As declarações foram dadas em meio à escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela, depois de o jornal The New York Times revelar que o governo de Donald Trump teria autorizado a CIA a agir para derrubar Nicolás Maduro. Na quarta-feira (15), Trump anunciou que pretende lançar operações terrestres contra o narcotráfico internacional, ampliando a presença militar americana no Caribe.

Em resposta, o governo venezuelano informou que apresentará uma queixa formal à ONU por tentativa de golpe. O PT também divulgou nota condenando a postura americana e defendendo o direito de autodeterminação dos povos.

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Lula aproveitou o evento do PCdoB para fazer uma autocrítica sobre a comunicação da esquerda com a sociedade. Segundo ele, partidos progressistas têm perdido espaço por não saberem traduzir suas pautas ao público.

“Nós nos distanciamos do povo. A direita colocou na cabeça das pessoas que defendemos o aborto de qualquer jeito, e o povo não defende. Disse também que quem defende direitos humanos quer bandido fora da cadeia. E nós não sabemos explicar isso”, afirmou.