Lula critica uso do comércio como arma e defende diálogo em fórum na Coreia do Sul

Petista evita citar Trump, mas critica política de tarifas dos EUA e aposta em cooperação para ampliar exportações de carnes e fortalecer cadeias de suprimentos

Caio César

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (23), a tentativa de líderes mundiais de utilizar o “comércio como arma”. Sem citar nominalmente Donald Trump, o presidente afirmou que alcançar acordos com base em diálogo e negociação é a “melhor resposta”.

Na semana passada, o chefe da Casa Branca anunciou novas tarifas globais de 15% sobre produtos estrangeiros. A medida ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as “tarifas recíprocas” impostas por Trump desde o início de seu novo mandato.

“A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos com o diálogo e a negociação. A relação entre o Brasil e a República da Coreia, dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena”, destacou em discurso durante sua participação em um fórum empresarial na Coreia do Sul.

Durante o discurso, Lula também defendeu a diversificação de parceiros comerciais entre países como forma de driblar o protecionismo econômico. “A resiliência de um país, especialmente em tempos de turbulência global e do retorno ao protecionismo, depende da diversificação da sua base econômica e das suas relações comerciais”, disse.

Nesta visita à Coreia, Lula tenta avançar em um acordo para a venda de carnes e outros produtos ao país. Em conversa, o presidente destacou que o Brasil “vem trabalhando há 15 anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano”.

Segundo ele, esse passo permitirá que os frigoríficos brasileiros possam se instalar na Coreia. Lula repetiu que a corrente de comércio do Brasil com o país asiático está aquém do possível e citou acordos firmados na viagem, como o de cooperação comercial e o de fortalecimento de cadeias de suprimentos.