Lula articula França vice de Haddad em SP, mas PSB quer ex-ministro para o Senado

Petista já havia pedido voto para Marina Silva em agenda na capital paulista, em um 'gesto político forte' na avaliação da campanha que briga pela segunda vaga

Agência O Globo

25 de fevereiro de 2025 - Márcio França, então ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, participa do programa A Voz do Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
25 de fevereiro de 2025 - Márcio França, então ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, participa do programa A Voz do Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Publicidade

O presidente Lula externou a aliados a preferência por contar com Márcio França (PSB) como candidato a vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. O PSB, no entanto, insiste por ora na possibilidade de o ex-ministro concorrer ao Senado, mantendo a situação indefinida. Haddad já demonstrou contrariedade com o impasse e espera resolver a equação nos próximos dias.

A informação foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pelo GLOBO com figuras que participam da articulação política.

Na semana passada, durante reunião da executiva nacional, o partido estabeleceu a candidatura de França como uma prioridade, ao lado de Simone Tebet (PSB). Foi uma maneira de se posicionar pela segunda vaga do grupo ao Senado, no momento em que a Federação PSOL-Rede procura outras siglas para ampliar a rede de apoio a Marina Silva (Rede). A posição foi levada a Lula.

Dias antes, o petista havia cumprido duas agendas na capital paulista ao lado de Tebet e Silva, ocasião em que instou o público formado por motoboys e sindicalistas a “um dia, dar voto para as duas”. A declaração foi lida pela campanha da ambientalista como um “gesto político forte” em favor da composição, enquanto interlocutores de França atenuaram o episódio.

Ao menos desde o fim de abril, Haddad tem conversado com o trio de ex-ministros do governo Lula sobre os rumos eleitorais. O petista tem como meta definir a chapa estadual até o começo de junho, antes da apresentação do plano de governo, prevista para o mês seguinte. Ele entende que o ideal seria ter apenas dois candidatos, de modo a não pulverizar os votos e garantir a coligação.

— Temos avançado no cronograma e queremos finalizar essa discussão até, no máximo, a primeira semana do mês — relatou a ex-ministra Marina Silva, na sexta-feira (29). — As discussões estão se afunilando. Vamos chegar a esse resultado a partir do diálogo dentro da nossa frente, considerando a contribuição de cada partido.

Continua depois da publicidade

O debate sobre o encaminhamento ao Senado passa tanto pelas perspectivas de vitória quanto pelo nível que cada candidatura agrega eleitoralmente a Haddad e Lula, considerando que o posto de vice não traz visibilidade equivalente. Além disso, o apelo da vaga é reduzido pelas perspectivas de vitória do PT contra o governador atual, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que seria inédito.

Dos lados de Marina Silva, aliados defendem mais pluralidade na chapa ao Senado e mencionam resultados de pesquisas em que ela aparece à frente, mas também com rejeição mais elevada. França tem como plataforma um perfil mais de centro e enraizado com o meio político paulista, sobretudo no interior, entretanto, a derrota para o senador Marcos Pontes (PL) na eleição passada pesa contra.