No sítio de Atibaia

Lula aparece em foto no sítio com ex-diretor da OAS que ele diz não conhecer

Lula negou conhecer o ex-diretor da OAS Paulo Gordilho, mas apareceu em fotos apreendidas pela Operação Lava Jato no acervo pessoal do executivo, diz relatório da PF

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SÃO PAULO – Relatório da Polícia Federal antecipado na tarde da última quinta-feira (26) pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou contradições do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando em conta o confronto entre o seu depoimento à Operação Aletheia em 4 de março de 2016 com provas obtidas pela PF. 

Lula negou conhecer o ex-diretor da OAS Paulo Gordilho, mas apareceu em fotos apreendidas pela Operação Lava Jato no acervo pessoal do executivo. “Causa estranheza fato de, em declarações, o ex-presidente Lula negar conhecer Paulo Gordilho, mas em outro momento aparecer ao lado do mesmo em fotos”, “demonstrando dessa forma haver relação de proximidade”, diz o documento. 

A foto apreendida pela PF mostra Lula no bar do sítio de Atibaia, ao lado de Gordilho, ex-executivo que comandou as reformas no sítio e teria sido o responsável pela compra de cozinhas e móveis planejados. 

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No documento da PF, de 22 de junho deste ano, a PF destacou a troca de mensagens entre Paulo Gordilho, sua filha, Isnaia e Léo Pinheiro, dono da OAS, que confrontou os diálogos com o depoimento de Lula. “Na ocasião, em um dos momentos Lula revela que não conhece o senhor Paulo Gordilho, ex-diretor da OAS Empreendimentos, declaração esta que vai em sentido contrário do contexto da troca de mensagens inseridas, uma vez que pelo teor dessas mensagens era possível notar que havia alguma relação de proximidade entre Paulo Gordilho e o ex-presidente Lula”, aponta a PF. No depoimento, Lula reiterou mais de uma vez que não conhecia Gordilho e nem nenhum ex-diretor da OAS.  

A Polícia Federal destacou mensagens em que Gordilho faça com a filha sobre um encontro em Atibaia “na fazenda de Lula”, no qual estarão presentes, além de dona Marisa Letícia, também o então presidente da OAS, Léo Pinheiro, para tratarem de assuntos relacionados à casa e à lagoa “que está vazando”. Gordilho mostrou ainda demasiada preocupação com o sigilo do encontro, pedindo à sua filha o “sigilo absoluto” do mesmo. “Dessa forma, as mensagens demonstram a atuação de Paulo Gordilho, e consequentemente da Construtora OAS, em obras realizadas no sítio em Atibaia/SP, indicando ainda a ciência por parte do ex-presidente Lula acerca do assunto, pois em certo trecho da conversa Paulo Gordilho escreve ‘Ele quer uma coisa e Marisa quer outra e lá vai eu e o Léo dar opinião’, além de citar o encontro entre os mesmos”, relata o documento.

Em depoimento do dia 4 de março, Lula afirmou que  ele e Léo Pinheiro estiveram apenas uma vez visitando o sítio em Atibaia, em um churrasco. “Informação esta que coincide com o contexto da troca de mensagens entre Paulo Gordilho e sua filha, Isnaiaquando na ocasião – troca de mensagens – Paulo Gordilho comunica sua filha que vai à Atibaia em um churrasco e que seria “na fazenda da Lula” e que estariam presentes ele, Léo Pinheiro e o próprio Lula”, diz a PF. 

Um outro laudo da PF que foi anexado aos autos da Lava Jato no fim de julho mostra a foto de um encontro entre Paulo Gordilho e Lula em fevereiro de 2014. “Bebemos eu e ele uma garrafa de cachaça da boa Havana mineira e uma (sic) 15 cervejas.” A frase é do arquiteto da empreiteira OAS Paulo Gordilho. O encontro teria ocorrido no dia 9 de fevereiro de 2014, na área de churrasqueira da propriedade. O laudo diz que foram encontradas 10 fotos com registro da reunião no sítio de Atibaia. “Tais registros são condizentes com o conteúdo das comunicações identificadas no Relatório 329/2016,” diz a PF. 

Confira nota sobre assunto da defesa do ex-presidente Lula:

O ex-Presidente Lula e seus familiares não são proprietários de qualquer imóvel no Edifício Solaris, no Guarujá, ou em Atibaia. Os imóveis pertencentes a Lula estão devidamente declarados à Receita Federal.

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A obsessão da Lava Jato em tentar incriminar o ex-presidente e atacar sua reputação e de seus familiares faz com que os investigadores se valham de procedimentos ocultos e de seguidos vazamentos de questões absolutamente irrelevantes, gastando tempo e recursos públicos do Estado.

No dia 4 de março de 2016 Lula foi conduzido coercitivamente sem ter sido intimado, medida sem previsão na legislação brasileira, para depor no aeroporto de Congonhas. Perguntado sobre o nome de Paulo Gordilho, entre muitos outros nomes, respondeu “por nome, não”. O ex-presidente não é obrigado a recordar o nome de todas as pessoas que já tiraram foto com ele.

Depois de concluir uma investigação pública sobre o Edifício Solaris sem identificar um apartamento pertencente a Lula naquele empreendimento, a Lava Jato se vale de procedimentos ocultos e vazamentos em série para continuar o ataque à reputação do ex-Presidente e seus familiares. Os advogados de Lula aguardam decisão do Supremo Tribunal Federal para combater mais essa arbitrariedade da Operação.