Em entrevista

Lula afirma que “propina foi inventada pelos empresários”, revela estratégia para 2018 e se diz injustiçado por Moro

Ex-presidente também defende a criação de um fundo de financiamento de campanha para as próximas eleições

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SÃO PAULO – Depois de uma longa conversa com o jornalista José Trajano na semana passada, Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma nova entrevista nesta segunda-feira (24), desta vez para a rádio amazonense Tiradentes, qual defendeu a criação de um fundo para o financiamento das campanhas eleitorais, criticou as decisões de Dilma Rousseff e afirmou que “a palavra propina foi inventada pelos empresários para tentar culpar os políticos” em esquemas de corrupção.

“Por tudo o que leio na imprensa, os empresários sempre deram dinheiro para campanha (…) todos eles pedem dinheiro para empresário, a vida inteira, desde que foi proclamada da República. A diferença é que agora transformaram as doações em propina, então ficou tudo criminoso”, afirmou o ex-presidente em entrevista concedida por telefone. Na sua visão, a solução seria a criação de um fundo de financiamento de campanha “para que não fiquem [os partidos] mais dependentes de empresários”.

Ainda falando sobre eleições, Lula foi perguntado sobre a queda do apoio da população ao PT após todos os escândalos envolvendo políticos do partido e o impeachment de Dilma. Segundo ele, as decisões da ex-presidente estavam fora do discurso de campanha e a sigla já tem uma nova estratégia para 2018: “por isso que nessas eleições de agora [2018] eu pedi para que o PT saísse separado para demarcar um pouco o nosso discurso. Porque pode dar a impressão de que está todo mundo na mesma bacia e não é verdade. É preciso que a gente mostre diferença política nesse momento”.

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Injustiçado pela Lava Jato

Quando perguntado sobre a condenação de Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão pelo caso do tríplex e o bloqueio de R$ 9 milhões em planos de previdência, Lula afirmou que vai entrar com recurso nesta segunda-feira para reverter a decisão da Justiça e se sente injustiçado pelas decisões do juiz federal. Por conta disso, o ex-presidente justificou seu discurso mais agressivo nas últimas entrevistas, pois “não posso ser muito afetuoso com quem me bate 24 horas por dia”.

“O dia que você for acusado de ladrão, que te acusarem de lavagem de dinheiro, o dia em que seu neto vier perguntar se é verdade o que estão falando, você vai ser muito mais duro do que eu (…) eu tenho noção de responsabilidade, eu sei o que eu sou, o que tenho nesse País. Não posso permitir que nenhum brasileiro tenha autoridade para me chamar de ladrão ou de dizer que pratiquei lavagem de dinheiro”, afirmou Lula.