Cobrando satisfação

Lula afirma que não vai ser mais radical e cobra “satisfação” do mercado

"Esse mercado injusto nunca me agradeceu com o tanto que ganhou", afirmou o ex-presidente em entrevista a jornalistas

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SÃO PAULO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista a jornalistas de grandes jornais e blogs de esquerda na última quarta-feira (20), que não quer ser visto como radical. “Eu não vou ser mais radical. Estão dizendo que estou mais radical. Não tenho cara de radical nem o radicalismo fica bem em mim. Estou é mais sabido”, afirmou. 

Lula pregou um estado forte, afirmando que não pode perder a sua capacidade de ter influência nas decisões econômicas do país. “O Estado não é neutro. O Estado é indutor.”

Ele disse que voltaria a aumentar salário mínimo, porque “crê que mínimo não gera inflação” e que vai isentar do Imposto de Renda salários até 5 mínimos e que “quem vai pagar são os ricos”. 

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O ex-presidente também confirmou que pretende fazer uma nova carta ao povo brasileiro, mas não como a de 2002, mais voltada ao mercado financeiro. “Quando fui candidato pela primeira vez os caras queriam que eu montasse o ministério antes para dar confiança do mercado. Agora vou escrever carta ao povo brasileiro, mas não como foi em 2002, que foi para o mercado. Agora é para o povo mesmo. Quem me deve satisfação é o mercado, não sou eu que devo satisfação a eles. Esse mercado injusto nunca me agradeceu com o tanto que ganhou.”

Ele atribuiu a sua chance de ganhar agora porque está visível ao povo que pode “consertar o país”. “Tem uma coisa na economia, para ela dar certo é preciso que quem esteja falando de economia tenha credibilidade diante da sociedade. Há um misto de cumplicidade entre a seriedade do que você está falando e a seriedade do que você está fazendo”, afirmou. 

Ao falar sobre o julgamento em segunda instância no âmbito da Operação Lava Jato, em 24 de janeiro, que pode levar ao banimento de sua candidatura, ele afirmou que é inocente  e desafiou a Lava Jato a apresentar provas de que é dono do triplex no Guarujá. “Não quero passar para a história como um inocente condenado”, afirmou.

“Como é que podem tentar evitar que um velhinho de 72 com energia de 30 e tesão de 20 seja candidato? Não é possível. É tanta coisa boa junta que eles têm que deixar (…) Estou muito tranquilo para o dia 24 [de janeiro]. Estarei candidato, se o partido quiser que eu esteja candidato. No fundo o partido é que vai decidir até o dia que uma instância diga que eu não posso ser candidato”, afirmou. Lula ainda disse que não pensa em ser preso. “Preso só pode ir quem cometeu crime”, afirmou.

O ex-presidente ainda falou em pacificar o País. “Estou convencido de que é possível ganhar as eleições e juntar um grupo de pessoas sérias neste País. Está cada vez mais difícil, mas é possível juntar empresários que ainda pensam neste País”, afirmou.