Lindbergh sai às pressas de julgamento de Bolsonaro e vai à reunião chamada por Motta

Líder do PT critica fala de Tarcísio e alerta que eventual votação no Congresso seria interferência no julgamento do STF

Marina Verenicz

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) discursa da tribuna do plenário da Câmara (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) discursa da tribuna do plenário da Câmara (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

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O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), deixou por volta das 11h20 desta terça-feira (2) a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) para participar de uma reunião de última hora na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo Lindbergh, o tema do encontro não havia sido informado, mas ele considerou fundamental que líderes partidários atuem de forma coordenada para evitar novos episódios de obstrução e motins no Congresso, como o ocorrido recentemente na invasão da Mesa da Câmara por manifestantes.

Fontes ouvidas pela CNN afirmaram que a pauta central do encontro é a proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a aliados investigados pela suposta tentativa de golpe de 2022.

A ausência de parlamentares ligados ao bolsonarismo no plenário do STF durante a primeira sessão do julgamento chamou atenção. Apenas deputados de partidos de esquerda acompanharam os trabalhos.

O esvaziamento da ala governista alimenta a percepção, dentro do Congresso, de que articulações pela anistia estão em curso em paralelo ao processo judicial.

Crítica à anistia e a Tarcísio

A jornalistas, Lindbergh avaliou que qualquer votação nesse sentido seria uma afronta direta ao Supremo.

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“Qualquer votação da Justiça é interferência direta no julgamento supremo. Seria um completo contrassenso, e eu tenho certeza que o presidente Hugo Motta não entrará numa aventura como essa, porque o julgamento está acontecendo”, disse.

Ele também criticou as declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que defendeu medidas de indulto ou anistia.

“O papel é terrível, falar em indulto em um momento como esse é um desrespeito à democracia e ao Supremo Tribunal Federal. Esse não é o papel de um governador”, afirmou.

O julgamento em andamento

A Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin, abriu nesta manhã a análise da denúncia contra o chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como responsável por articular medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a eleição de 2022.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresentou um relatório de quase duas horas, resumindo as investigações conduzidas pela Polícia Federal e as alegações finais do processo. O julgamento terá sessões extraordinárias até 12 de setembro.

Quem são os réus

Além de Bolsonaro, respondem na ação:
• Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin;
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
• Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
• Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
 Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.

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Os oito réus são acusados de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Ramagem, parte das acusações foi suspensa por decisão da Câmara dos Deputados.