AO VIVO Rodrigo Furtado, da XP Asset, fala sobre uma oportunidade no mercado de ações

Rodrigo Furtado, da XP Asset, fala sobre uma oportunidade no mercado de ações

Impasse

Limbo de Lula isola Dilma quando ela mais precisa de apoio

Retorno de Lula à política enfrenta obstáculo

(Bloomberg) — O retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à política em período integral enfrenta um obstáculo justamente no momento em que sua sucessora, Dilma Rousseff, mais precisa dele.

A tentativa da presidente de levar Lula, 70, para o gabinete como ministro-chefe da Casa Civil, há duas semanas, está paralisada depois que um juiz suspendeu temporariamente a nomeação. O Supremo Tribunal Federal vem analisando a decisão desde então, deixando Lula em um estado de limbo político que tem prejudicado seus esforços de construção de apoio no Congresso para o governo da presidente.

O momento não poderia ser pior para Dilma, que está tentando sobreviver a uma votação de impeachment que deverá ocorrer em meados ou fim de abril. Incapaz de tirar vantagem plena de seus fortes laços com os parlamentares, Lula está deixando a sucessora que escolheu a dedo cada vez mais isolada justo quando o apoio dela no Congresso está se desintegrando.

PUBLICIDADE

“Ele é um lutador que perdeu suas armas”, disse Gabriel Petrus, analista político em Brasília da empresa de consultoria de negócios Barral M Jorge.

A incapacidade de Lula de resgatar Dilma, até o momento, é uma grande reviravolta para um político que deixou o poder com um índice de aprovação de 83 por cento, o mais elevado entre os presidentes eleitos do Brasil das últimas três décadas.

Queda na popularidade
A popularidade do ex-presidente foi sendo impactada de lá para cá, depois que ele passou a ocupar posição de destaque na investigação da Lava Jato. No início de março ele foi conduzido de maneira coercitiva pela Polícia Federal para ser interrogado e uma semana depois o Ministério Público Federal o acusou de esconder patrimônio das autoridades. Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal acolheu uma liminar para suspender a investigação até que o procurador-geral da República possa estudar a evidência e não definiu data para decidir se Lula poderá fazer parte do gabinete de Dilma.

Lula várias vezes negou irregularidades e diz que as investigações fazem parte de uma campanha de difamação. Dilma rejeita as acusações de que nomeou Lula para o seu governo para protegê-lo da prisão pelo fato de os ministros no Brasil terem foro privilegiado. “Sejamos francos aqui: Lula fortalece meu governo”, disse ela um dia antes de um juiz federal bloquear a nomeação.

O ex-presidente ainda está apoiando o governo ativamente, “mas sem um título oficial”, segundo José Chrispiniano, porta-voz do Instituto Lula, com sede em São Paulo, que foi fundado pelo ex-presidente.

Embora os problemas legais de Lula não o tenham impedido de realizar reuniões informais com os membros do gabinete de Dilma e com parlamentares, sua influência diminuiu. No início da semana, o PMDB, maior partido do Congresso, deixou a base aliada de Dilma apenas dois dias depois de Lula negociar com o líder do partido, Michel Temer, que também é vice-presidente da República.

Recessão de Dilma
O índice de aprovação de Lula quando deixou o cargo ofusca os índices de aprovação de Dilma. Ela comanda uma economia que desacelerou em seu primeiro mandato e entrou em recessão no segundo.

Para salvar Dilma do impeachment, o ex-presidente está focado agora em evitar que os partidos menores abandonem a base aliada, segundo analistas da empresa de consultoria política Eurasia Group, incluindo Christopher Garman, João Augusto de Castro Neves e Cameron Combs. Lula está ajudando Dilma nas negociações para oferecer empregos no governo aos membros dos partidos em troca de apoio contra o impeachment. É improvável que ele consiga reunir os votos de que Dilma precisa para evitar o impeachment, escreveram eles em uma nota técnica, na quinta-feira.

“A abertura não vem como surpresa e não representa uma virada de jogo”, disseram os analistas. “Continuamos acreditando que a Câmara dos Deputados votará pela remoção de Dilma”.

Especiais InfoMoney:

As novidades na Carteira InfoMoney para março

André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa