Pesquisa com investidores

Líderes nas últimas pesquisas, Lula e Bolsonaro são vistos como “ruins” para Bolsa e câmbio

É o que aponta a pesquisa da XP feita com investidores institucionais; maioria vê alta do dólar e Ibovespa em baixa caso um deles ganhe em 2018

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SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pela XP Investimentos com 168 investidores institucionais e mais 400 assessores de escritórios afiliados, trouxe os cenários a depender de quem sairá vencedor das eleições de 2018. Os investidores veem um cenário positivo para a Bolsa e para o câmbio após o pleito, uma vez que consideram que candidatos mais pró-mercado devem ganhar o pleito. 

42% dos investidores institucionais apontam que o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), deve ser o vencedor da eleição do ano que vem, enquanto 38% veem o também tucano governador paulista Geraldo Alckmin como o novo presidente brasileiro. Só 6% acreditam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltará ao Planalto. Empatados com 3% das respostas, estão o deputado Jair Bolsonaro e a ex-senadora Marina Silva (Rede), enquanto o senador Alvaro Dias (Podemos) obteve 2% das respostas.

Contudo, a pesquisa mostra um cenário diferente dos últimos levantamentos sobre o pleito do ano que vem. Segundo pesquisa Datafolha do final de junho, quem despontava na preferência dos eleitores, Lula aparece na dianteira na preferência de votos, enquanto Bolsonaro e Marina Silva estão em empate técnico. E são justamente esses nomes que são avaliados como o de um maior potencial negativo para a bolsa e para o real. 

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Na simulação com Lula presidente, os investidores apontam um desfecho negativo para bolsa, com 96% indicando que o Ibovespa recuaria do patamar atual. Para mais de 80% o Ibovespa recuaria para patamar abaixo de 55 mil pontos – ou seja, investidores enxergam ao menos uma queda de 17% no índice).  96% veem uma queda do índice em relação ao patamar atual. “Chama a atenção o fato de que 18% apontam uma queda para abaixo de 40 mil pontos, o que representaria cerca de 40% de queda do Ibovespa, algo próximo dos 42% de queda na crise de 2008”, destacam os analistas da XP, Celson Plácido e Gustavo Cruz. Já sobre o dólar, novamente os  investidores se mostraram pessimistas, com 98% indicando que o câmbio brasileiro se desvalorizaria: 31% indicam que a moeda americana subiria para um patamar acima de R$ 4,10. Para 47% dos respondentes a moeda se desvalorizaria ao menos 25%. 

Confira as projeções com Lula presidente:

Já com Jair Bolsonaro, que está de “mudança” do PSC para o PEN, 88% dos investidores institucionais apontam que o Ibovespa recuaria dos atuais patamares. Para mais de 59%, a Bolsa recuaria para baixo de 55 mil pontos, ou seja, investidores enxergam ao menos uma queda de 17% no índice, enquanto apenas 12% acreditam em uma alta do índice com Bolsonaro vencendo. Para um cenário de dólar, novamente investidores se mostraram pessimistas e 89% indicaram que o câmbio brasileiro se desvalorizaria – 15% indicam que a divisa americana subiria para um patamar acima de R$ 4,10, enquanto 44% dos respondentes veem a moeda indo acima dos R$ 3,70. 

Confira as projeções com Bolsonaro presidente:

 Por fim, com Marina Silva, os investidores também apontam um desfecho negativo para o Ibovespa, mas com um quadro menos definido. Ao mesmo tempo que 24% indicam que o índice recuaria para menos de 50 mil pontos, 24% apontam que o índice se valorizaria. Para o dólar, 75% indicaram que o câmbio brasileiro se desvalorizaria, sendo que 30% indicam que a moeda subiria para um patamar entre R$ 3,30 e R$ 3,50, enquanto 45% indicam que o dólar subiria para um patamar acima de R$ 3,50. 

Segundo destacou o economista da XP Investimentos Gustavo Cruz ao InfoMoney, a grande aversão ao risco do mercado a uma possível eleição de Lula foi vista como uma surpresa. Já sobre Bolsonaro, os investidores tendem a ver um cenário mais negativo caso ele ganhe, mas ainda há muitas incertezas, com a pesquisa mostrando ainda muitas dispersões de opinião, destaca Cruz, que afirma que a pesquisa não reflete a opinião da XP.  Enquanto isso, a vitória de Marina é vista com maior neutralidade pelos investidores institucionais. Confira a pesquisa completa clicando aqui.