Divisão

Líderes do MDB em 11 estados declaram apoio a Lula no primeiro turno; presidente do partido nega aliança

Movimento aumenta a pressão para que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) desista da disputa a 9 dias da convenção nacional do partido

Por  Marcos Mortari -

Integrantes de uma ala do MDB reuniram-se, na tarde desta segunda-feira (18), com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, para oficializar apoio à candidatura do petista ao Palácio do Planalto já no primeiro turno.

De acordo com o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que é líder da sigla no Senado Federal e pré-candidato ao governo do Amazonas, a decisão foi tomada pelo partido em 11 estados, dos quais nove tinham representantes na reunião com a candidatura petista.

“Estamos aqui representados por 11 estados e pelas lideranças das duas bancadas do MDB para dizer da nossa decisão, portanto, de caminhar com a candidatura Lula e Alckmin já no primeiro turno”, afirmou o parlamentar.

O MDB é hoje a maior bancada do Senado Federal, com 12 membros na casa legislativa. Na Câmara dos Deputados, são 37 representantes da sigla, sétima maior bancada.

Os estados das lideranças do MDB que teriam fechado posição com a candidatura de Lula são: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Juntos, esses estados somam 58.179.969 eleitores, o equivalente a 37% do eleitorado registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), porém, negou o apoio ao petista. “Conversei há pouco com alguns dirigentes do MDB que supostamente estariam com outro candidato a presidente. Eles me garantiram que vão apoiar Simone Tebet na convenção que vai homologá-la candidata. Decidimos por maioria, respeitando as minorias. Teremos apoios nos 27 estados”, publicou no Twitter.

Compareceram ao evento os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Rose de Freitas (MDB-ES) e Marcelo Castro (MDB-PI), o governador de Alagoas, Paulo Dantas.

Também participam os ex-senadores Eunício Oliveira (MDB-CE), que foi presidente do Senado Federal, e Edison Lobão (MDB-MA), o ex-deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), além do deputado Leonardo Picciani (MDB-RJ), presidente do diretório estadual do partido.

No caso do Rio de Janeiro, a situação é incerta. O partido está próximo ao governador Cláudio Castro (PL), candidato à reeleição, inclusive negociado a possibilidade de ocupar a vice, com Washington Reis, ex-deputado e ex-prefeito de Duque de Caxias.

Os representantes do Pará, estado governado por Helder Barbalho (MDB), e do Rio Grande do Norte − o nome do ex-senador Garibaldi Alves (MDB) foi mencionado − não marcaram presença, mas deverão apoiar Lula já no primeiro turno da disputa presidencial.

O movimento dos líderes locais aumenta a pressão para que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) desista da corrida presidencial pelo partido, mas o grupo não representa a maioria na sigla. A convenção nacional do MDB, que deverá oficializar o nome da parlamentar para a disputa ao Palácio do Planalto, está marcada para 27 de julho.

O governador de Alagoas, Paulo Dantas, disse, no encontro, que defenderá na convenção nacional que o MDB formalize aliança com Lula em detrimento à posição de Simone Tebet. “Vamos defender nas convenções, vamos conversar com todos que fazem o MDB no Brasil para que marchem juntos. Defendemos que todos os estados estejam com Lula e vamos fazer essa conversa com todos os integrantes do partido”, disse.

A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), ressaltou o gesto das lideranças locais do MDB em um processo eleitoral “muito diferente de todos os outros”. Ela também procurou fazer um aceno à pré-candidata Simone Tebet.

“Essa decisão é muito importante não só para a candidatura do presidente Lula como para a democracia brasileira e para esse processo que estamos vivendo e que é muito diferente de todos os outros processos eleitorais que nós já vivemos no Brasil. Essa união de forças que acredita e luta pela democracia é fundamental para enfrentarmos esse momento”, afirmou.

“E isso não traz demérito algum para candidatura já colocada pelo MDB para disputar as eleições. Quero aqui colocar o meu respeito e consideração à senadora Simone de quem fui colega por uma parte do meu mandato no Senado, à legitimidade do MDB para apresentar sua candidatura. Mas estamos num momento que nós temos que unir as forças democráticas e progressistas para evitar uma tragédia maior no Brasil. E penso que o momento é agora”, continuou.

A aliança, embora não em nível nacional, reaproxima PT e MDB seis anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que acabou substituída por Michel Temer (MDB), seu vice. O episódio é frequentemente referido por petistas como um golpe parlamentar.

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