Líder do PT propõe crime de alta traição após pressão de Eduardo nos EUA

Projeto de Lindbergh Farias quer punir com até 40 anos quem articular sanções ao Brasil

Marina Verenicz

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O líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias (RJ), vai apresentar nesta sexta-feira (1º) um projeto de lei que cria o crime de “alta traição à pátria” no Código Penal brasileiro. A informação foi adiantada pela Folha de S. Paulo.

A proposta é uma reação direta à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem buscado, nos Estados Unidos, apoio do governo de Donald Trump para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A movimentação de Eduardo é apontada por aliados do governo Lula como um dos gatilhos para o tarifaço imposto por Trump às exportações brasileiras. O congressista é investigado em inquérito que apura sua participação ativa na articulação de sanções contra autoridades brasileiras, o que levou Lindbergh a defender a criação de um novo tipo penal.

Segundo a minuta do projeto, o novo crime prevê penas de reclusão entre 20 e 40 anos, além da perda de cargo público, patente, função ou mandato eletivo.

A proposta tipifica como “alta traição à pátria” condutas como a articulação de sanções estrangeiras contra o Brasil; o fornecimento de informações sensíveis a governos hostis; o estímulo a intervenções militares externas; e, atuação como agente informal de potência estrangeira com o objetivo de enfraquecer ou subordinar o país.

Lindbergh afirma que a iniciativa busca preencher uma lacuna no ordenamento jurídico brasileiro. “É um ataque direto aos fundamentos constitucionais do Estado brasileiro. Precisamos de uma resposta legislativa proporcional”, declarou à coluna de Mônica Bergamo.

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Inspirado no Código Penal Militar

A inspiração para o projeto veio de um artigo do Código Penal Militar que prevê pena para quem se entende com governo estrangeiro visando gerar conflito com o Brasil. “Eu e o senador Randolfe Rodrigues [PT-AP] pedimos a prisão preventiva dele [Eduardo Bolsonaro] com base nesse artigo”, disse Lindbergh ao jornal.

Apesar disso, o novo projeto não teria efeito retroativo — ou seja, não alcançaria eventuais crimes já cometidos. A proposta busca, segundo o deputado, construir um “arcabouço jurídico de proteção ao Brasil” em meio a uma crise diplomática inédita.