Receio do ministro

Levy tem receio de que crise política faça governo Dilma negligenciar ajuste fiscal

Enquanto o ministro da Fazenda defendia a importância do ajuste fiscal na reunião anual das instituições, o foco da primeira reunião da presidente com os novos ministros foi barrar os pedidos de impeachment

SÃO PAULO – A primeira reunião do novo ministério da presidente Dilma Rousseff foi marcada por uma importante ausência: a do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que está na capital do Peru, Lima, participando da reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial. 

Enquanto Levy defendia a importância do ajuste fiscal na reunião anual das instituições, o foco da primeira reunião da presidente com os novos ministros foi barrar os pedidos de impeachment. Dilma, um dia depois da rejeição do balanço contábil da União de 2014 pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e de derrotas seguidas no Congresso, disse os ministros que é preciso união para virar o jogo. 

“Querem pôr em andamento um golpe democrático no País. Precisamos trabalhar e mobilizar nossas bases para dar respostas e mostrar que temos apoio”, afirmou.

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E, conforme ressalta o blog de Josias de Souza, do Uol, ressaltando conversa com um dos ministros, a matéria sobre o ajuste fiscal, que ainda está na pauta do Congresso, perdeu espaço para o impeachment. “Para minha surpresa, esse matéria perdeu espaço para o impeachment e para o esforço que o governo fará com o propósito de reverter no Congresso a decisão do TCU de rejeitar as contas de 2014”, afirmou o ministro. 

Em particular, Levy e seus auxiliares têm manifestado o receio de que a crise política leve o governo a negligenciar o ajuste fiscal, afirma o blog. Afora a recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), há outras tentativas de criação de receitas que não saem do lugar, caso da proposta  que autoriza a repatriação de dinheiro enviado ilegalmente ao exterior por brasileiros. 

Ontem, Levy e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, asseguraram a investidores que o Brasil vai superar a crise política que ameaça a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo.

Em um comentário surpreendentemente franco, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reconheceu para uma plateia de investidores na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), no Peru, que não sabia se a presidente enfrentaria um processo impeachment. Mesmo assim, Levy disse que estava confiante de que as medidas impopulares de austeridade serão aprovadas pelo Congresso Nacional para ajustar as contas públicas e tirar a economia da pior recessão em 25 anos.


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