No Senado

Levy alerta para risco se não houver ajuste: custo de perder grau de investimento é alto

Levy disse que tem "extrema confiança" na economia brasileira, que é forte e diversificada, com grande capacidade de resposta, afirmou o ministro da Fazenda ao Senado

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SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está no CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e reafirmou confiança de que o Brasil irá retomar a trajetória de crescimento, mas que o ajuste precisa ser feito.

Caso ele não seja feito, o Brasil pode correr riscos significativos, uma vez que o País poderia perder o grau de investimento, o que teria um “custo muito alto”. “Nós temos que prestar atenção ao risco de perdeu o grau de investimento”, ressaltou. E afirmou: o ajuste é uma questão imediata, mas com o objetivo de resolver problemas para “pavimentar o caminho para a frente”. 

Levy disse que tem “extrema confiança” na economia brasileira, que é forte e diversificada, com grande capacidade de resposta, afirmou. Segundo ele, o momento agora é de transição em que o governo está reorientando o setor econômico para o fim do ciclo das commodities. 

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O ministro destaca que o ajuste vai cobrir diversas áreas e reiterou algumas medidas a serem tomadas, ressaltando que o Brasil tem que reverter algumas medidas anti-cíclicas e que, com as mudanças na economia do mundo (principalmente China e EUA), o Brasil está sendo obrigado a mudar também. O Brasil tem que reorientar a sua economia e o ajuste tem o papel de reverter a deterioração fiscal, afirmou, destacando ainda a importância do mercado de capitais. 

E destacou que a “retomada do crescimento vai depender em grande parte das ações dos estados e municípios”, com a economia não estando ruim apenas em Brasília, mas em todos os estados. “Por isso que o diálogo é tão importante”.

“A presidente Dilma (Rousseff) tem feito um trabalho incansável para explicar as ações do governo”, defendeu Levy, afirmando que o equilíbrio das contas públicas irá ajudar na retomada do crescimento econômico. Ele repetiu que as políticas anticícilicas implementadas durante a primeira gestão da presidente Dilma Rousseff estão esgotadas, mas que acredita que a economia brasileira tem grande capacidade de adaptação.

Ele ainda ressaltou que ajustes no mercado de trabalho não diminuem os direitos do trabalhador e, ao contrário, fortalecem os direitos.

Levy disse que é preciso reverter algumas medidas anticíclicas e que as renúncias fiscais feitas durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff ajudaram no desequilíbrio das contas públicas.

Ao defender as medidas de ajuste fiscal, ministro afirmou que as condições em que foram feitas as medidas anticíclicas mudaram, pregando que o momento de mudar essas políticas chegou e que as decisões têm de ser tomadas observando o “horizonte mais longo”.

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Em busca da meta
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acenou nesta terça-feira com novas medidas para alcançar o cumprimento da meta fiscal deste ano. “Estamos olhando a arrecadação e estamos prontos para tomar medidas que se mostrem necessárias para evitar qualquer risco que a arrecadação não comporte o cumprimento da meta”, afirmou. A meta para este ano é de R$ 66.3 bilhões.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse há pouco que o governo está trabalhando para diminuir o alívio tributário. “Estamos fazendo esforço para reduzir medidas de alívio tributário”, disse em depoimento na CAE do Senado. Ele ponderou que o Brasil foi o único País que reduziu tributos nos últimos anos. O ministro ressaltou ainda que o governo não criou mais impostos. “Estamos diminuindo a intensidade de algumas ações de renúncia”, disse. Ele citou a recomposição parcial da Cide sobre combustíveis como um dos exemplos.

Sobre os gastos do governo, o ministro disse que o objetivo é atingir o patamar de 2013. “É importante ver o lado do gasto. É extremamente importante”, afirmou. Ressaltou ser importante garantir que a dívida pública tenha trajetória de queda para manter o País em “boa companhia”. 

(Com Reuters)