Acabou o encanto?

Levy 2.0 ou ministro notável? Movimento de hoje na Bolsa mostra início da “controvérsia Meirelles”

No início da sessão, mercado mostrava desconfiança com ajuste fiscal após revés na Câmara e Meirelles foi comparado com Levy - investidores voltaram a mostrar mais confiança após fala do ministro da Fazenda

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SÃO PAULO – O dia começou péssimo para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Na noite anterior, o governo interino não havia conseguido avançar como esperava nas conversas com parlamentares para votar o projeto de renegociação da dívida dos estados e municípios. Isso mesmo após concessões em dispositivos que impunham maior disciplina fiscal aos governadores e prefeitos.

No entanto, Meirelles virou o jogo no começo da tarde ao defender o ajuste fiscal, acalmando os investidores ao falar de melhora da confiança e de contrapartidas que os estados podem oferecer para ajudar na austeridade das contas públicas. O discurso do ministro da Fazenda teve um impacto tão grande na Bolsa que o Ibovespa foi à sua máxima após suas falas, chegando a subir 1,22% no intraday. 

A grande pergunta que fica em vista desse cenário é se Meirelles continua sendo o ministro notável que o mercado tanto esperava com a mudança de governo ou se a sua gestão será como a do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que recebeu muita confiança do mercado, mas foi incapaz de por em prática as medidas que pregava, principalmente por conta da incapacidade de passar as propostas no Congresso. 

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Conforme destaca a LCA Consultores, “o desgaste político do governo e, principalmente de Meirelles, é incontestável” ao tratar sobre a renegociação da dívida dos estados.  “A sinalização para os investidores também não foi boa, pois passa a imagem de que o governo não tem força política para aprovar medidas mais duras, necessárias para o ajuste fiscal”. 

Levy 2.0
Já Leonardo Monoli, sócio e diretor da Jive Asset, destacou à Bloomberg: está “claro que o ambiente político é o grande entrave ao desenvolvimento econômico do país, e mais uma vez, se o que precisa ser feito não apresentar evolução, como aconteceu recentemente com o Joaquim Levy na Fazenda, a paciência dos mercados deve se esgotar”.

Monoli ainda fez críticas aos políticos: “a impressão que fica é que os políticos brasileiros vivem um auto-engano crônico, totalmente desconectados da realidade econômica do país”. 

Por outro lado, o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, disse que é complicado comparar Meirelles e Levy. “O governo Temer realmente tem mais capacidade de diálogo. O temor é só que ao tentar agradar a todo mundo ele não agrade a ninguém”, explica. Na sua avaliação, se medidas essenciais como o estabelecimento de um teto para os gastos do governo não forem aprovadas, isso só evidenciará uma má vontade do PMDB em aprovar uma agenda de austeridade, sem que haja qualquer demérito para a equipe econômica. 

Contudo, esse não é o cenário base do economista. Brugger vê uma maior facilidade para aprovar medidas após a confirmação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff na votação no plenário do Senado. A decisão deve terminar o fim deste mês. 

Na mesma linha, o analista da Appia, Luiz Felipe Mello, diz acreditar que o governo interino tem feito boas sinalizações em todos os campos. “O Pedro Parente como presidente da Petrobras está falando o que o mercado quer ouvir. Paralelo a isso, o cenário mundial é de taxa de juros zero ou extremamente baixa, o que atrai um grande fluxo de capital para cá com a nossa Selic em 14,25%”, diz Mello.

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