Perspectivas

Le Pen x Macron e Lula x Moro: os 2 duelos que todos irão parar para acompanhar na próxima semana

Com agenda de indicadores mais tranquila, eventos políticos ganham força e devem guiar os mercados nos próximos dias

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SÃO PAULO – Após mais uma semana mais curta no mercado brasileiro, os próximos dias prometem bastante agitação, com dois “embates” que devem atrair a atenção dos mercados. Começando já na madrugada deste domingo com a decisão sobre quem será o novo presidente francês, enquanto por aqui ocorre o tão aguardado depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro.

Neste fim de semana ocorre o segundo turno da eleição na França, e os analistas acreditam que não teremos grandes surpresas como as que ocorreram no ano passado com a eleição de Donald Trump e o Brexit, mesmo assim, o mercado segue com certo nível de tensão para esta possibilidade. A expectativa é que Emmanuel Macron vença a disputa contra Marine Le Pen, o que seria positivo para os mercados.

Esse otimismo ocorre porque as pesquisas mostram Macron, o candidato centrista preferido do mercado, com larga vantagem, muito além da margem de erro, sobre a populista Le Pen. Na pesquisa Ipsos, ele tinha 61,5% ante 38,5% de Le Pen em sondagem divulgada na sexta-feira.

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Após o duelo na França, um dos grandes eventos aguardado para a próxima semana no Brasil será o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato em Curitiba, ocorrendo em um momento complicado diante da sequência de decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) vistas como reveses da operação, como as liberações de José Dirceu e Eike Batista. O depoimento ocorrerá na quarta-feira (10).

Haverá um bloqueio em um raio de 150 metros em torno do prédio da Secretaria de Segurança Pública e apenas jornalistas credenciados e moradores poderão passar pelos policiais. A Polícia Militar do estado vai cuidar da segurança nas ruas ao redor do prédio da Justiça Federal, que será monitorado pela Polícia Federal.

A Polícia Militar informou que monitora e já tem notícias de grupos favoráveis e contrários que se deslocam para a capital. Mas não confirmou o número de ônibus que seguem para Curitiba. Os grupos ficarão em pontos distintos da cidade.

Política e indicadores
Já na terça-feira (9), ocorre a votação dos últimos 11 destaques da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados. Vale lembrar que o governo ainda não tem os votos que garantam a aprovação da reforma no plenário, mas segue com a expectativa de que o projeto chegue na Câmara no fim deste mês. Para garantir uma margem confortável, o governo quer assegurar cerca de 330
votos, e espera que a votação no plenário aconteça na última semana de maio.

Por outro lado, o conturbado cenário político em Brasília pode jogar a conclusão da votação da reforma da Previdência para o segundo semestre deste ano, admitem lideranças da base aliada e interlocutores do governo. E a estratégia de condicionar a votação da reforma previdenciária na Câmara à apreciação da trabalhista pelo Senado pode retardar ainda mais o andamento.

“Só devemos aprovar a Previdência na Câmara depois da reforma trabalhista no Senado. Já conversei com o presidente (Michel Temer) sobre isso e ele achou a ideia boa. Estamos trabalhando nisso”, admitiu o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos responsáveis por mapear os votos para a reforma.

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Entre os indicadores, o principal dado da semana será no Brasil, com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril na quarta-feira às 9h (horário de Brasília). A expectativa compilada pela Bloomberg é de uma desaceleração de 0,25% para 0,19% do dado mensal. No acumulado de 12 meses, o índice pode cair para abaixo do centro da meta, passando de 4,57% para 4,11%, conforme as projeções.

Nos Estados Unidos, a semana terá os dados de inflação do CPI e PPI, além do resultado de venda do varejo, todos sobre o mês de abril. Na Europa haverá o discurso de Mario Draghi na quarta-feira e a decisão do Banco da Inglaterra no dia 11. Na China, a agenda é mais intensa na, dados da balança comercial e inflação, ainda sem dada confirmada.

Para conferir a agenda completa da próxima semana, clique aqui.