Operação Eficiência

Lava Jato aciona Interpol e investiga possível fuga de Eike; PF é questionada sobre ida do empresário a prisão comum

A força-tarefa respondeu a questionamentos sobre se Eike vai para a prisão comum, já que não completou o curso superior

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (26) a Operação Eficiência, no âmbito da Lava Jato, que emitiu seis mandados de prisão preventiva, quatro de condução coercitiva e 22 buscas e apreensão no Rio de Janeiro. O empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, é um dos alvos do mandado de prisão preventiva, mas ainda não foi localizado. Dois dos mandados de prisão estão em aberto: um é de Eike e do outro é de Francisco de Assis Neto.

A operação investiga crimes de lavagem de dinheiro com a ocultação no exterior de cerca de US$ 100 milhões, informou a PF em nota oficial. Fernando Martins, que se apresentou como advogado de Eike Batista, foi à casa do empresário no Jardim Botânico, e informou que Eike está viajando. Contudo, ele disse que Eike se entregará à polícia. Entre outros alvos da operação, estão o ex-governador Sérgio Cabral, já preso no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, e Wilson Carlos e Carlos Miranda, que também estão presos. Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Flávio Godinho, atual vice-presidente de futebol do Flamengo, foi preso. Godinho foi, até 2013, sócio de Eike Batista, que também teve o mandado de prisão expedido. No ano passado, ele já havia sido levado coercitivamente para prestar depoimento. A prisão dele não tem relação com o trabalho no time de futebol e sim por acusação de ser um dos operadores do esquema das empresas de Eike através da ocultação e lavagem de dinheiro das propinas que eram recolhidas das empreiteiras que faziam obras públicas no Rio de Janeiro.  Um dos nove mandados de prisão preventiva é contra Thiago de Aragão Gonçalves Pereira e Silva: ele é advogado e sócio de Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral. 

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As pessoas que são alvo de condução coercitiva foram levadas para a Polícia Federal no Rio de Janeiro. Esta é a primeira fase da Lava Jato este ano. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em cerca de 40 endereços. As empresas que são alvos da operação são as seguintes: Hoya Corretora de Valores e Câmbio Ltda; Canhoeta Negócios Corporativos; Seven Lab Informática Ltda; Boa da Noite Informática; SCA Eventos e Consultoria Ltda; Apoio Consultoria e Planejamento Ltda; Havana Administradora e Corretora de Seguros Ltda.; Unirio Assessoria Administração e Corretora de Seguros Ltda; Corcovado Comunicação Ltda; Américas Copacabana Hotel Ltda; Carolina Massiere Confecções e Assessórios de Moda Ltda; Estalo Comunicação; JPMC Academia de Ginástica Ltda; MCS Comunicação Integradas S/C Ltda; Araras Empreendimentos Consultoria e Serviços Ltda e Minas Gerais Projetos e Empreendimentos Ltda.

Coletiva da força-tarefa
Em coletiva, José Augusto Vagos, procurador da República, explicou a necessidade do pedido de prisão do empresário Eike Batista. preservar a instrução criminal. De acordo com ele, Eike busca “escamotear a verdade” dos órgãos públicos, fazendo contratos falsos darem cobertura a lavagem de dinheiro. Isso caracteriza a necessidade da prisão preventiva. 

De acordo com a força-tarefa, havia suspeita de que Eike  tinha negócios espúrios com Adriana Ancelmo e a investigação descobriu que Batista pagou a Cabral o valor de US$ 16,5 milhões em contas no exterior. Os valor foram pagos por meio de uma empresa de Eike. 

O procurador Eduardo Ribeiro Gomes El Hage, detalhou como foi feita a transferência de Eike para Cabral. Ele diz que foi assinado um contrato fictício para que pudesse ser feito o pagamento da empresa de Eike para a empresa dos doleiros de Cabral. Para que a transferência fosse feita, foi utilizada uma transação verdadeira, da venda de uma mina. O contrato fictício foi forjado para que os doleiros de Cabral aparecessem como intermediários. El Hage destaca que Flávio Godinho participou da operação. Ele afirmou ainda que a investigação tem toda a documentação da transação e que o dinheiro já foi repatriado.

O procurador aponta ainda que provocou estranheza o fato de que a empresa de Eike aparecia nos contratos por procuração e, de acordo com ele, a propina de Eike a Cabral, em valores de hoje, chegaria a R$ 50 milhões. “Foi isso que motivou o pedido de prisão de Eike”. El Hage também destaca que foi encontrado dinheiro em espécie na casa de Cabral, o que comprova a suspeita de que ele recebia em espécie dos operadores do esquema. Ele funcionava como “provedor” da família.

O delegado da PF Tácio Muzzi destacou que a força tarefa não sabia que Eike estava fora do Brasil; ele teria ido saído do País na noite do dia 24, com destino a Nova York. Segundo Muzzi, a PF está em contato com a Interpol para descobrir se Eike está realmente em Nova York e ainda há a informação de que ele pode ter saído com um passaporte alemão. O delegado destacou a fala de um advogado de Eike, que disse informalmente que ele iria se entregar, mas a PF está esperando o contato formal. “Se não houver, ele irá se tornar procurado fora do país”, aponta. Muzzi afirma que o órgão está aguardando a presença de Eike e “tomando as providências cabíveis”. 

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Os investigados estavam sendo acompanhados e não havia restrição a eles para sair do país. Até ontem à tarde, não havia informação sobre a saída de Eike do Brasil. Segundo Muzzi, não se pode afirmar categoricamente se houve intenção de fuga de Eike, o que está sendo investigado. Tácio Muzzi apontou ainda que, não havendo contato num prazo curtíssimo, Eike será considerado foragido e serão tomadas as medidas internacionais cabíveis. Muzzi afirma que está sendo investigado o que ocorreu na saída do empresário do país.

A força-tarefa também respondeu a questionamentos sobre se Eike vai para a prisão comum, já que o empresário não completou o curso superior. Segundo a Lava Jato, essa medida dependerá do sistema penitenciário estadual. Segundo Muzzi, a PF não tem ingerência sobre para qual presídio Eike será encaminhado e isso será sabido na hora da prisão. 

O procurador da República Leonardo Cardoso de Freitas disse que, na atual operação, não há nada envolvendo o atual governador Luiz Fernando Pezão. As investigações prosseguem.