Nova fase

Lava Jato, a Origem: ministério escondeu encontro de Padilha com doleiro, diz Estado

Segundo novas informações do Estado de S. Paulo, o ex-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, teve reuniões com o ex-deputado federal, André Vargas, suspeito de receber R$ 2,3 milhões de empresa

SÃO PAULO – O ex-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Alexandre Padilha, e o ex-deputado federal, André Vargas (sem partido-PR), encontraram-se para tratar da contratação de uma empresa comprada pelo doleiro Alberto Youssef, segundo informação do Estado de S. Paulo. A reunião não apareceu na nota técnica enviada no dia 26 de março do ano passado pelo Ministério da Saúde. 

A omissão, justamente quando era deflagrada a Operação Lava Jato da Polícia Federal foi considerada suspeita pelo juiz Ségio Moro, que mandou prender André Vargas na sexta-feira (10). Nesta segunda-feira (13), a reportagem de Fausto Macedo, do Estadão, divulgou que o ex-deputado recebeu R$ 2,3 milhões em dinheiro vivo de uma empresa com contratos no governo federal, a IT7 Soluções – contratada da Caixa Econômica Federal e de outros órgãos governamentais. 

A empresa contratada era a Labogen Química Fina e Biotecnologia, que fabricaria e forneceria ao Ministério da Saúde, na época comandado por Padilha, a substância “citrato de sildenafila” em parceria com a EMS e o Laboratório Farmacêutico da Marinha. Apesar dos encontros terem sido citados na delação premiada de Youssef, Vargas e o ex-ministro negam que tenham mantido relações durante o negócio. 

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A Labogen era usada para celebrar contratos de câmbio para importações que não ocorriam, com o objetivo de fazer a remessa fraudulenta de dinheiro ao exterior. Em negociações que envolveram Vargas, Padilha e o próprio Youssef, o ministro da Saúde teria dito que encaminharia representantes da Labogen a Eduardo Jorge Valadares Oliveira, coordenador do ministério (sem qualquer relação com o ex-candidato à Presidência pelo PV).  

Todas as informações fazem parte das investigações da nova fase da Operação Lava Jato iniciada na semana passada e batizada de “A Origem”. Nesta etapa a PF já cumpriu 32 mandados, sendo 7 de prisão, 16 de busca e apreensão e 9 de condução coercitiva.