Entrevista à Folha

Kátia Abreu diz a jornal que “latifúndio não existe mais”

Em entrevista à Folha, ministra da Agricultura disse que a contenção de gastos anunciada pelo governo este ano não causa temor e afirma que não brigará com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy

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SÃO PAULO – Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, a nova ministra da Agricultura já deu declarações polêmicas. Kátia Abreu disse à colunista Mônica Bergamo que o Brasil precisa de uma reforma agrária pontual, já que o latifúndio deixou de existir no País.

Kátia afirma que a reforma “tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais. Mas isso não acaba com a reforma. Há projetos de colonização maravilhosos que podem ser implementados. Agora, usar discurso velho, antigo, irreal, para justificar reforma agrária? A bancada [ruralista] vai trabalhar sempre, discutir, debater.”

Segundo ela, a contenção de gastos anunciada pelo governo este ano não causa temor e afirma que não brigará com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “O setor [do agronegócio] é tão consolidado e dá respostas tão rápidas que é perigoso até ele [Levy] me dar mais do que peço. É verdade! Ele não quer que o país se recupere? Vai recuperar com que, gente? Fabricando o que, a não ser comida? Então não tenho medo dos cortes do Levy. Ele vai investir em carne boa. Não vai investir em carne podre. O agronegócio não é carne podre.”

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A ministra da Agricultura afirmou ainda defender o diálogo com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e ressaltou que não tem “solução mágica” para a crise do setor sucroalcooleiro, “assunto gravíssimo” que “deve envolver todo o governo”.