Entrevista ao Estadão

Justiça é incapaz de enfrentar corrupção difusa, diz procurador da Mãos Limpas, na Itália

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-procurador Gherardo Colombo diz que a perda de forças das investigações se deve muito por conta da atuação dos próprios cidadãos, antes entusiastas do trabalho desenvolvido

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SÃO PAULO – Procurador em um dos casos mais emblemáticos de combate à corrupção da história mundial, o italiano Gherardo Colombo está descrente sobre a capacidade de a investigação judiciária enfrentar os malfeitos de maneira eficaz. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Colombo fez um balanço sobre o saldo da Operação Mãos Limpas e lamentou o fato de a perda de forças das investigações ter ocorrido muito por conta da atuação dos próprios cidadãos.

“No início, eram todos entusiastas na Itália das investigações, pois elas nos levam a descobrir a corrupção de pessoas que estavam lá em cima. Mas, conforme elas prosseguiram, chegamos à corrupção dos cidadãos comuns”, afirmou o procurador sobre os efeitos da operação que inspirou a Lava Jato no Brasil. Na avaliação de Colombo, à medida que as investigações recebiam menos apoio da sociedade, o establishment político também se organizou para espraiar a Mãos Limpas. “O problema é que medidas relacionadas à prescrição dos crimes, à falsificação de balanço de empresas e outras foram aceitas pelos cidadãos”.

O antigo procurador e juiz fala ainda na necessidade da imparcialidade dos magistrados, mas manifesta maior esperança nos trabalhos como editor para combater a corrupção. “Eu me demiti da magistratura em 2007, embora pudesse continuar a ser magistrado por mais 14 anos. Decidi isso porque, para mim, é impossível marginalizar o desrespeito à lei se não se muda a cultura. Sou agora um editor – penso que, por meio dos livros, é possível fazer isso. E, sobretudo, vou muito às escolas falar com os estudantes”, disse Gherardo Colombo ao Estadão.

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